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Os melhores do mundo?
Clarissa Tagliari
Notícias Populares é o título do primeiro DVD da Companhia de comédia Os Melhores do Mundo.  O trabalho é dividido em oito cenas, entre elas Seqüestro - um seqüestrador que não tolera erros gramaticais; 10 de Setembro - que especula sobre o dia anterior aos ataques de Bin Laden, e, como não poderia faltar, o aclamado Joseph Klimber.

Situada em Brasília, a Cia Os melhores do Mundo foi instituída em 1995 e conta com a participação de atores teatrais já conhecidos pelo público brasileiro, em função das diversas aparições em programas de TV e dos vários vídeos postados na internet mesmo antes da gravação do DVD.

Com objetivo de mostrar o que muitas vezes os veículos jornalísticos fazem para adquirir pontos de audiência, o trabalho traz, de forma bem humorada e crítica, o que infelizmente estamos acostumados a ver em nosso cotidiano. Através da simulação de um noticiário real, as noticias populares e sensacionalistas são abordadas sem provocar gargalhadas ao espectador.

Praticamente uma aula de português

Na esquete intitulada “Seqüestro”, o seqüestrador, tem um nível acadêmico notavelmente superior ao dos policiais em cena. Coincidência ou crítica à escolaridade mínima exigida para exercer a função de policial? Em meio a diversos “tapas”, até Lula foi atingido.  Taxado de “não muito bom no português” o presidente foi motivo de piada.

Para cada erro gramatical cometido pelos policiais, um refém era morto. Quando um dos policiais cogitou a hipótese de ligar para o presidente da República, o outro o alertou para chacina que seria cometida ali. 
Citado como exemplo de êxito sem diploma, Lula é tido como estereótipo de ignorância quanto ao domínio da própria língua.

O debate

Uma sátira clara à imparcialidade muitas vezes cometida pela mídia. Essa poderia ser a descrição mais próxima do que é apresentado na cena “O debate”.  Este esquete cômico, em que um dos candidatos é corrupto, porém amigo do apresentador, manifesta a possível atuação do veiculo de comunicação nos debates que antecedem as eleições.  

O “candidato amigo” leva vantagem durante toda a discussão, responde todas as perguntas e tem o material de sua campanha exposto várias vezes, enquanto o outro não tem tempo nem para falar, em razão da parcialidade do apresentador.  

No Brasil, onde a população há anos vem sendo domesticada pela televisão, o debate político tem muito valor.  Candidatos escolhidos pela imagem tornam almejada a imparcialidade da mídia, muitas vezes, fator indispensável para o bom andamento do país.

Além desses quadros, a peça apresenta outros. Brasil na guerra, um monólogo em que um sargento conta as decepções de ser um militar brasileiro agindo em terras iraquianas. Carnaval que trata de uma entrevista com um carnavalesco homossexual e a exibição das fantasias por ele confeccionadas. Em outra esquete, a banda de rap Os Repetentes, composta apenas por ex-presidiários, faz sua participação na peça. Por fim, e menos engraçado, o quadro Combate ao crime. Apesar de repetir várias vezes de forma cômica o chavão “Todo mundo tem seu preço” e de ter Saraiva, um policial que “cativou” o público, é um quadro bastante cansativo.

Mesmo não sendo um programa de família, em virtude da quantidade de palavras de baixo calão por cena, a mistura homogênea de bom humor e sarcasmo faz do espetáculo um sucesso.