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| A semente da crítica | |||||||
| Rodrigo Galiza |
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A Imprensa em questão, de Alberto Dines, Carlos Vogt, Jose Marques de Melo (Editora Unicamp; 1997; 181 páginas; R$ 23,00) Alunos de jornalismo, assim como os que se preocupam com a "formação dos formadores de opinião" de nosso País e com o papel da imprensa no processo dinâmico e complexo da própria formação de opinião, deveriam ler A Imprensa em Questão (1997). A imprensa brasileira esteve em questão desde o século XIX com sua grande influência no desenvolvimento político e social no país desde sua independência. Ditadura, diretas já, eleição e impeachment de Collor. Eventos como esses mudaram o Brasil. Entretanto, a opinião do brasileiro, nesses casos, sofreu forte influência da imprensa. E qual será a participação dessa imprensa no futuro? É justamente sobre isso que "Imprensa em Questão" discute. Olhando para o passado sem desconsiderar o presente, jornalistas, consultores, publicitários, empresários da comunicação, representantes políticos e críticos da mídia reuniram-se para mostrar a visão de cada um deles sobre a imprensa atual e seu futuro. Alguns desses representantes foram Roberto Civita, diretor-presidente da Editora Abril. Também participaram Washington Olivetto, presidente da W/ Brasil Publicidade, e Júnia Nogueira de Sá, ombudsman da Folha de S.Paulo. Foi feita uma ampla análise crítica da imprensa e do desafio que ela enfrenta em seu "panorama contemporâneo das transformações sócio-culturais, político-econômicas e científico-tecnológicas". Já no prefácio, José Marques de Melo, professor de jornalismo da USP, levanta as questões do livro. São elas: redução de notícias internacionais nos jornais brasileiros, a notícia como show business , meios de comunicação nas mãos de políticos, a qualidade da notícia e sua influência publicitária, responsabilidade das universidades na qualidade do jornalismo e como tudo isso afeta a credibilidade do jornalismo brasileiro. Analisando as palestras registradas no livro, eles mostram que a imprensa brasileira é vista, em sua maioria, como tendenciosa, manipuladora e sem real interesse no público. LABJOR e a crítica de mídia Esse livro é resultado do Labjor (Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo). Com o objetivo de "criar um centro de pesquisa e acompanhamento crítico da mídia" e permitir o acesso dessa informação ao público, o professor de lingüística e ex-reitor da Unicamp, Carlos Vogt, começou esse projeto. O professor José Carlos de Melo e o jornalista Alberto Dines estavam juntos. Como abertura do Labjor ao público, aconteceu em abril de 94 o seminário A Imprensa em questão. Nesse seminário, profissionais de várias áreas deram sua contribuição e a cópia dos debates deu origem ao livro com o mesmo título. O interessante da obra é que ela divide-se em oito partes contendo, no final de cada uma, o debate feito no seminário. Cada parte mostra a visão de diferentes áreas sobre a imprensa. E ao final, há um anexo mostrando os resultados desse seminário, já vistos do ano quando ocorreu o seminário(94) ao da sua publicação (97). Destaca-se a criação do Observatório da Imprensa. Para aqueles que realmente se importam com o papel da crítica de mídia e o futuro da imprensa no nosso País, as propostas levantadas em Imprensa em Questão deveriam ser estudadas para que a imprensa do Brasil esteja nas mãos seguras de críticos leais. |
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