Judiciário, Legislativo, Executivo. Poderes que parecem estar disputando uma maratona para descobrir qual é o pior. Infelizmente (ou felizmente) existe outro poder que faz esses três "maratonistas" tremerem: a mídia. A lógica é simples e, diga-se de passagem, bastante teórica: na democracia quem manda é o povo (teoria pura) e quem têm o domínio do povo é o dito cujo Quarto Poder. A idéia da influência que os veículos de comunicação - principalmente os de massa - exercem sobre o público já se tornou consensual.
Poderosos como Hitler e - porque não dizer, George W. Bush -, seguem provando que, dependendo da maneira como a mídia aborda os fatos, pode decidir o futuro de uma nação.
Mas como conter ou minimizar o poder desse grande propagador de idéias, teorias e até padrões de conduta? Foi justamente diante dessa espécie de questionamento que surgiram veículos com o objetivo de avaliar, questionar e, principalmente, criticar a atuação da mídia. Existem vários meios explorados pelos próprios veículos para tal fim. Entre eles, temos o espaço do leitor e o ombudsman. Nos veículos on-line, o blog é um desses meios de crítica de mídia.
Explorando um estilo mais informal, o jornalista Ricardo Noblat utiliza esse último recurso da web para, num espaço concentrado, contemplar muita opinião. Pernambucano de 55 anos, Noblat é um dos mais conceituados profissionais da imprensa brasileira. Ex-diretor de redação do Jornal do Brasil, o jornalista também foi responsável pela reforma editorial e gráfica que transformou o Correio Braziliense num dos mais premiados jornais do País. O seu blog é recheado de informação - e principalmente opinião - sobre os diversos temas publicados nos diferentes veículos de comunicação.
Autor dos livros A Arte de Fazer um Jornal Diário e O Que É Ser um Jornalista , Noblat aproveita para deixar algumas críticas sobre a mídia e, principalmente, sua opinião sobre como fazer jornalismo.
A página inicial é repleta de variedades. Nela encontramos notícias, artigos, comentários de rádio e até charges. Também podemos navegar por artigos de opinião - principalmente política e economia -, entrevistas, retrospectivas e especiais. Um dos destaques dessa última sessão, por exemplo, é o artigo sobre os 60 anos da catástrofe da bomba atômica em Hiroshima.
Dentre os artigos, alguns como "Sem Investigação não Há Jornalismo" e "Jornalismo e Propaganda" merecem destaque. Nesse último, Noblat enfrenta com veemência a questão do erro jornalístico. "A mídia erra. E erra gravemente quando não contextualiza os fatos. E não parece aprender quando flagrada no erro. Repete-o à exaustão. Por incompetência ou conveniência. Creio que pelas duas razões".
Esse é um dos exemplos de "freios e contrapesos" utilizados contra o chamado: "Quarto poder". No artigo, o jornalista aponta erros graves cometidos pelos veículos de comunicação. Mas também aponta os ideais que devem ser perseguidos pelos jornalistas, independente de dinheiro ou publicidade. Diz ele: "Qualquer notícia honesta é a melhor versão possível de um fato".
Que o poder da mídia é grande, isso não é novidade. Mas quem garante esse poder são os cidadãos, em última análise, os leitores, ouvintes e telespectadores. Muitos se incumbem da tarefa de analisar esse poder, mas os verdadeiros fiscalizadores, aqueles que pagam, somos nós. |