Uma pesquisa mostrou que a palavra mais usada na língua portuguesa é o pronome “eu”. Praticamente em todas as conversas o “eu” pode ser ouvido constantemente pelas pessoas. No entanto, nas últimas semanas, as palavras mais usadas têm sido o “sim” e o “não”, especialmente pelos meios de comunicação.
O referendo do dia 23 de outubro sobre o desarmamento é apenas uma mostra de como duas palavras simples podem causar tantas manifestações populares, parcialidade jornalística e, até mesmo, um certo ar de indiferença ou suposta neutralidade. A cobertura feita pelos jornais de grande porte como Folha de S.Paulo e Estado de S.Paulo tem sido escancarada. Principalmente a Folha, que não tem economizado palavras para mostrar o que pensa. Na edição do dia 9 de outubro, o título do editorial não poderia ser mais taxativo: “Pelo sim do referendo”. A seqüência do texto dizia: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil? Esta Folha defende o voto sim”. Logo depois, na página seguinte, um artigo do presidente Lula é publicado com o seguinte título: “Mais vida, menos armas”.
O Estadão já não é tão incisivo quanto a Folha, mas também tem deixado clara sua posição, a julgar pela maneira com que as notícias têm sido publicadas. Os títulos de suas reportagens não deixam mentir: “Para 76%, arma deve ser proibida” (03/10); “'Sim' reúne 28 personalidades e grandes produtoras de filmes”(01/10); “Mais de 360 mil armas foram recolhidas desde julho de 2004” (idem). A ênfase de que os artistas e grandes nomes são a favor da proibição de armas, não deixa muitas dúvidas sobre a idéia que o jornal quer transmitir. As revistas também estão nessa linha. Época e Trip publicaram matérias a favor do sim. A exceção parece ter sido Veja, que é definitivamente contra o desarmamento.
A “força” da imprensa do Interior
Embora a grande imprensa esteja fazendo ampla cobertura do referendo, os jornais interioranos de São Paulo parecem não estar dando muita atenção ao fato e, se o fazem, não têm adotado uma posição definida. Só como exemplo da postura dos veículos menores, o jornal Todo Dia, de Americana, interior paulista, publicou que “a proibição de venda de armas não tem unanimidade entre as autoridades da região” (06/10).
Uma das causas seria que o tal referendo “poderia causar o aumento do porte ilegal de armas e a falta de proteção dos moradores”. A violência sempre foi um problema, por isso, muitos andavam armados como meio de defesa pessoal. No interior do Brasil isso é relativamente comum, especialmente em fazendas e propriedades rurais, onde armas são usadas para caça e proteção contra invasores. Por outro lado, os jornais de cidades pequenas são geralmente controlados pelos prefeitos ou alguma autoridade pública. São eles que definem o que é publicado ou não, de acordo, é claro, com seus interesses pessoais.
Diante disso, surge a questão: Voto a favor, contra ou fico indiferente? A escolha é sua. Ou será da imprensa? |