Tal qual o martelo na bigorna, não vou me cansar, aqui neste espaço, de “bater” nos articulistas até que todos ganhem um “acabamento” mais jornalístico. Com o referendo do Allan – aliás, essa é a palavra em nossa edição –, quero dizer aos nossos colaboradores que todos ainda precisam cuidar com a ferramenta básica. Vejam só como as coisas se encaixam: martelo, bigorna, acabamento, ferramenta... Mas, vamos direto ao ponto, já que estamos falando de texto jornalístico e não de habilidades com ferro ou aço!
Em nossa edição de inauguração do novo formato, tratamos de criticar a crítica da mídia. Não pude ignorar que alguns de nossos articulistas continuam pecando muito na acentuação e pontuação de seus textos. Em meu artigo de estréia, atribuí boa parte dos enganos ao fato de não estarmos dedicando bom tempo à leitura. Quero dizer, agora, que já começo a pensar em um certo descaso... Ou preguiça mesmo! Digo isso, pelo fato de que o dicionário está sempre ao alcance de todos. É preciso ter humildade, mas, sobretudo, zelo profissional para consultá-lo na hora do aperto ou da dúvida.
Considero esse um erro grave. Entretanto, quero fixar-me novamente na grande dificuldade de articulação das idéias na forma escrita. Não são poucos os colaboradores que escrevem atropelando o bom senso. Fica evidente a falta de uma clara coesão textual e de frases com conexão sintática umas com as outras. Alguns não aprenderam ainda como usar um verbo declaratório após uma citação entre aspas. Outros misturam, na mesma sentença, ordem direta e indireta no discurso. O sujeito na frente do teclado não pode escrever um texto em que diz: “segundo fulano de tal, a crítica da mídia tem sido “ineficaz ao cumprir o seu papel”, afirma o fulano de tal”. Percebem a confusão? E isso eu vi (e corrigi) aos borbotões!
Outro detalhe: não podemos “deitar nas cordas”, para usar uma linguagem pugilística, e entender que, só porque estamos escrevendo um texto opinativo, não devemos primar pelo uso da boa fonte. Aliás, alguns dos articulistas até que utilizaram dados e informações coletadas diretamente com as fontes, não simplesmente reproduzindo o que já fora publicado por aí. O que não pode acontecer – e aconteceu nessa última edição – é uma repetição exaustiva de dados repassados pela mesma fonte. Só o Christofoletti, coitado, foi citado repetidas vezes por mais de um articulista! Será possível que não existem outros colegas especializados no assunto? A pluralidade de fontes é um conceito básico no jornalismo.
Quero citar uma colaboração inestimável do professor Dargã com relação ao termo ombudsman, trabalhado em um de nossos artigos da edição passada. Com propriedade, o colega mostra que escorregamos na casca da banana ao afirmar que o plural da palavra seria, tal qual o inglês, “ombuds+ men ”. A palavra não admite tal abuso. Sua origem nórdica impede. Nesse caso, ficamos com o artigo no plural e a palavra em sua forma original, certo hermanos?
A jornalista Marinilda Carvalho, colega do Observatório da Imprensa , também nos levantou de um escorregão dado em outro artigo. No texto, teríamos passado a idéia de que as edições em rádio e internet, do próprio veículo, seriam posteriores à de TV. Atenção, moçada!
Em tempos de referendo, eu apelo: Diga sim ao bom texto!
Finalizo parabenizando Andréia Moura pelo bom texto produzido na reportagem da edição sobre crítica de mídia.
Olho vivo e até mais, meus caros! |