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| Código de blá-blá-blá | |||||||
Ana Carolina Riguengo |
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Código da Vinci, de Dan Brown, (Editora Sextante; 2004; 423 páginas; R$ 23,90) Tudo começa com o assassinato de Jacques Saunière, o curador do museu do Louvre, em Paris, que mesmo agonizante consegue deixar uma mensagem cifrada. Somente duas pessoas podem desvendar essa mensagem, a neta do curador, a criptógrafa Sophie Neveu e um simbologista americano, Robert Langdon. Eles descobrem que Saunière fazia parte de uma antiga sociedade secreta chamada Priorado de Sião. E mais, ele era o grão-mestre da sociedade que já teve como membros Leonardo da Vinci, Victor Hugo e Isaac Newton. Durante muitos anos, o priorato teria guardado o grande segredo do Santo Graal. Em Código da Vinci (2004), Dan Brown trata o cristianismo como uma grande conspiração. De maneira impetuosa, Brown afirma que a santidade de Jesus Cristo teria sido imposta pelo Concílio de Nicéia, promovido por Constantino em 325 A .D., no qual o imperador romano outorga a divindade de Cristo. Não contente, ele afronta a Opus Dei, uma instituição hierárquica da igreja católica que em latim quer dizer “obra de Deus”. Ela foi fundada em 2 de outubro de 1928 por São José María Escrivã, com o objetivo de contribuir para o projeto evangelístico. A história contada por Brown é uma mistura de especulações pessoais com realidades históricas e da arte. O propósito do livro é comprovar que Jesus Cristo teria se casado com Maria Madalena, com quem teve dois filhos, Sara e Tiago. Pois para o autor, Maria nunca foi prostituta. Ele se justifica dizendo que Maria Madalena ficou grávida bem na época que Jesus foi crucificado. Para dar mais polêmica ao enredo do livro, Brown afirma que os descendentes dos filhos de Jesus e Maria vivem mantidos secretamente pelo Priorado de Sião. Este mesmo Priorado seria também o guardião da verdadeira fé em Jesus e Maria Madalena pela teoria do “sagrado feminino”. De acordo com Dan Brown, a prova de que Jesus estava casado e deixou descendentes é o Santo Graal, o cálice sagrado. Essa teoria de Santo Graal é sustentada pela igreja católica, mas não existem provas de que todos os discípulos beberam do cálice de Cristo. No túmulo de Madalena, junto a seus ossos estariam documentos secretos que acabariam com os fundamentos base do cristianismo. É tanta asneira que até Leonardo Da Vinci entra na história como um dos membros do suposto Priorado de Sião, que além de membro sabe de toda “verdade” e deixou uma pista: o quadro da Última Ceia e Monalisa. A começar pelo cálice onde está representado o sangue de Jesus, que se inclui no quadro da Última Ceia. Este seria uma metáfora para um útero que teria tido a participação de Jesus no ato da fecundação. Ali estaria a linhagem de Cristo e a matriarca é Maria Madalena. Esse é o ápice da teoria da conspiração. Na Monalisa existiria um código porque sua vista da esquerda para a direita é maior do que o inverso e o fantasioso propósito de valorizar mais o lado esquerdo do que o direito faria alusão ao “sagrado feminino”. No livro pseudo-epígrafo de Filipe, ele afirma que Maria Madalena era realmente uma companheira de Jesus e para Dan Brown, companheira significaria esposa. Neste evangelho, Maria Madalena parece beijar a boca de Jesus e ela o considerava mais do que qualquer um outro discípulo. Na época de Jesus, as mulheres judias não tocavam em um homem que não fosse marido, por isso é que tal afirmação soa um tanto quanto estranha. Mas de qualquer forma é importante considerar que esses documentos foram encontrados já muito velhos e danificados, principalmente onde estaria escrito boca. Na verdade, então, ali poderia estar escrito o que é a verdade Bíblica onde Maria teria beijado Jesus, os pés. Outra consideração por parte do autor seria que Mona era o anagrama de Amon, deus da fertilidade masculina e Lisa é Ísis a deusa egípcia da fertilidade e seu pictograma era L'isa. Então Monalisa é a união de fertilidades. Dan Brown afirma que a justificativa para toda a apologia ao celibato promovida pela igreja católica seria uma forma de “superar os traumas” da mesma. Na verdade, toda essa história romanceada do autor serve de pano de fundo para ele dizer tudo o que pensa sobre a Igreja Católica, ou mesmo sobre qualquer outra igreja. Além disso, quer doutrinar as pessoas para que creiam na hipótese de a igreja ter abafado o fato de que Maria Madalena e Jesus foram amantes. Ao escrever Código da Vinci, Dan Brown pretende, além de expor suas idéias pessoais sobre o cristianismo, que a igreja católica reconheça a falta ao não aceitar o sacerdócio feminino. Brown pode ser inteligente e saber como prender a atenção do leitor, mas suas crenças não tem nenhum fundamento. E ainda tem gente que acredita nelas. |
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