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O resto não tem pressa!

Indecisa entre o desserviço da abordagem alarmista e o mau exemplo da omissão conivente, a imprensa brasileira trota a passos lentos em direção ao melhor caminho para fiscalizar as políticas de saúde pública e conscientizar a população sobre qualidade de vida e combate às mazelas.

Gostou da pomposidade literária? Pois é. Tudo isso pra dizer em simples palavras: a cobertura de saúde no Brasil anda mal das pernas. Casos como a febre aftosa e, mais recentemente, a gripe aviária, retratam o despreparo de muitas redações do país no trato com saúde. Retratos de um cenário apocalíptico (e que parece de fato, iminente) interessam mais aos jornalistas do que os hábitos e escolhas do ser humano que farão com que esse cenário fique apenas na fértil imaginação dos cientistas.

É dever dos meios de comunicação tratar temas de saúde com fidelidade científica e (muita) ponderação. O que a sociedade brasileira necessita é que a mídia construa um debate propositivo sobre saúde. A imprensa deveria ocupar-se muito mais em dar instruções práticas que operacionalizem mudanças de hábitos e comportamentos do que simplesmente aterrorizar a população diante do surgimento de novas doenças ou epidemias. A fórmula é simplória: em vez de enfocar o terror da doença, dedicar-se à qualidade de vida.

É por isso que a última edição da National Geographic (nov/2005), no entendimento do Canal, faz bom jornalismo sobre saúde. Intitulada “A ciência da longevidade”, a matéria de capa da tradicional revista da National Geographic Society discorria sobre o estilo de vida dos japoneses de Okinawa, os italianos de Sardenha e os americanos adventistas do sétimo dia de Loma Linda, Califórnia, e o segredo de uma vida longa. “ O que eles sabem que todos nós não sabemos?” é o questionamento da matéria, no melhor estilo pró-saúde.

É bem verdade que nós, jornalistas, não temos lá muita autoridade para falar sobre saúde. Embora essa não seja a realidade do Canal (que orgulho!), em muitas redações no País sobram cigarros e tosses, bem como não faltam estresse e gritarias durante o deadline. Mas acredito que essa discrepância é apenas mais um motivo para se fazer bom jornalismo em saúde. O Canal torce para que mais empreitadas como a da National Geographic contagiem a imprensa brasileira. Afinal de contas, saúde é o que interessa, o resto não tem pressa!

Boa leitura!

Allan Novaes
Editor-chefe