O homem nasce com sua saúde frágil. No decorrer dos anos, ele passa pelo processo de maturação e crescimento até chegar ao ápice de força e saúde. Após seus 40 anos (para alguns desde os 30), quanto mais o tempo passa, pior ficam a vida e a saúde. Não está sendo assim com a revista Vida e Saúde da Casa Publicadora Brasileira, em Tatuí, interior de São Paulo. Ela nasceu em janeiro de 1939, e hoje, com quase 67 anos, se encontra melhor do que quando foi criada, apesar de seus problemas de rotina.
Ao contrário do processo da entropia, o qual afirma que toda matéria tende a passar do organizado ao desorganizado, da vida para morte; a revista Vida e Saúde tem melhorado com o tempo. No ano de seu lançamento, foram vendidas 181.000 revistas. 20 anos depois, em 1958, o seu número já era de 881.000 e, em 1987, já passava de 1.500.000 ao ano. Nos dois últimos anos, sua tiragem se mantém numa média de 80.000 mensais. Mas nos meses de férias, principalmente no mês de julho, ele chega ao número de 310.000 exemplares.
Isso ocorre porque, assim como no seu início, a Vida e Saúde é divulgada principalmente através de vendedores de porta em porta. Eles são, na maioria, estudantes que nas férias saem a vendê-la pelo Brasil. Eles vão de casa em casa fazendo o comercial da revista. Alguns exemplares são vendidos na hora. Os vendedores firmam e renovam assinaturas. Por isso, para se adquirir uma Vida e Saúde não é tão fácil.
Apesar de Vida e Saúde vir até o leitor, muitos brasileiros terão que “morrer ou adoecer” esperando pela boa vontade, ou talvez não tão boa assim, de um vendedor que lhe ofereça a revista em seu domicílio. Essa é uma das debilidades da revista. Doença que outras revistas como a Saúde da Editora Abril não tem, pois pode ser achada em qualquer banca de revista em todo o Brasil como um remédio que está disponível em uma farmácia aberta o dia todo.
Vida e Saúde é bem aceita apesar da sua pouca circulação. Seu conteúdo tem melhorado consideravelmente com o passar dos anos. Atualmente, a revista traz reportagens e editorias fixas que cobrem diversos aspectos de uma vida saudável. Nota-se através das matérias que dão muita ênfase na prevenção. Ela não se detém muito em tentar explicar doenças e como curá-las. Em contrapartida, por meio das reportagens e artigos ela tenta prevenir os seus leitores de adoecerem e ensina como viver com mais qualidade.
O público de idades, países e ocupações variadas, tem mostrado muito apreço por essa linha editorial da Vida e Saúde. Na editoria Correio, um aluno de medicina até disse que tem usado informações da revista em seus trabalhos científicos. Mas se a revista deseja difundir um conceito de saúde para a população brasileira, por que será que não fazem uma melhor divulgação para que ela possa chegar a mais lares?
A Vida e Saúde tem caráter prático. Sem muito rodeio científico, seus textos são bem objetivos. Isso não quer dizer que ela carece de informação importante, mas que possui o necessário sobre o assunto tratado. Isso é bom para o leitor que não possui muita informação sobre o assunto e que procura justamente nesse tipo de revista algo que possa ser feito por ele.
Esse perfil tem recebido elogios por parte dos leitores que mandam cartas e e-mails expressando sua opinião sobre a revista. Em Correio, a revista ainda publica seus erros e seus leitores sugerem pautas (apesar de não ter notado nenhuma sugestão publicada!).
Seus redatores são profissionais de saúde que escrevem sobre sua área para as editorias fixas. E jornalistas que fazem as reportagens sobre temas variados. Tem problema com o dentista? Uma cirurgiã dentista tira suas dúvidas em Odonto. Nessa seção é mostrado como melhorar os seus dentes, além de revelar os avanços feitos pela ciência nessa área. Alguns temas foram "O que fazer com a escova, orientação sobre antes, durante e depois da extração do siso" (06/05), informações sobre anestesia (08/05).
Noutra editoria, a 100 dúvidas, serve como “O seu consultório impresso nas páginas da Vida e Saúde ”. Com a consulta de especialistas da área, a revista tira dúvidas dos leitores. As perguntas são as mais variadas sobre nutrição, psicologia e medicina, com uma média de quatro perguntas por exemplar mensal. A resposta é direta e pode ser bem compreendida pelos seus “pacientes”. Eles acabam sendo ajudados pela revista sem terem de ir ao consultório de um médico. Mas, preocupado com os seus leitores e sabendo da importância de um acompanhamento pessoal por um profissional de saúde, os editores colocam sempre na parte superior do 100 dúvidas: “Esta seção existe para tirar suas dúvidas e difundir conceitos de um viver saudável, mas não substitui a visita ao médico”
Dicas e Receitas pode ajudar aqueles que querem melhorar seu cardápio tornando-o mais saudável com as receitas que ela fornece sempre com as informações nutricionais. E se é caloria que o leitor está preocupado, há uma seção específica (Caloria) para mostrar o quanto de energia certos alimentos como verduras (01/05), óleos (05/05), biscoitos e doces (03/05), requeijão (07/05), cereais matinais (09/05), dentre outros, proporcionam. Um detalhe: para aqueles que gostam, a revista é sempre bem ilustrada.
Outras editorias mostram como socorrer pessoas em emergências, como usar plantas para melhorar a saúde, informações sobre beleza, listas de alongamentos e exercícios físicos e até uma meditação na última página da revista. Suas editorias tentam transmitir o conceito de que saúde vai além de não está doente e, sim, um estilo de vida com qualidade. E ao que parece eles têm conseguido, apesar de alguns problemas a serem tratados. Se continuarem a melhorar com o passar do tempo, como até aqui tem acontecido, os brasileiros terão uma ótima Vida e Saúde. |