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Terreno neutro

Larissa Jansson

Questões e assuntos como política, economia, cultura, ideologias, e tantos outros, dividem os diferentes veículos de comunicação, detonando embates ora subliminares, ora explícitos e acalorados entre eles. Em parte, é disso de que toda a mídia do planeta se alimenta.

Hoje pode-se dizer sem medo de errar, com base em seus conteúdos, quais as linhas editoriais de quatro revistas semanais do Brasil: Veja, Época, IstoÉ e Carta Capital. Sabe-se a que vieram, no que acreditam e o que querem pregar aos seus milhões de leitores. Mas, no universo de idéias a combater e defender em cada revista, as editorias que tratam dos temas de saúde são um terreno neutro e comum entre elas.

Poucas diferenças

Ler uma reportagem especial sobre os avanços da ciência ao estudar o sangue para prevenir doenças em Veja, do risco que se corre ao colocar um piercing em IstoÉ, ou da importância da prevenção e hábitos saudáveis a fim de ter um coração saudável em Época e Carta Capital é praticamente a mesma coisa. Não existem muitas variações nos conteúdos e todas parecem cumprir bem o papel de explicar e desmistificar saúde e medicina.

Época, Veja e IstoÉ publicam regularmente reportagens de capa e, também, matérias mais simples sobre o assunto. Seguem sempre o mesmo roteiro: linguagem acessível, entrevistas com médicos especialistas, infográficos que ajudam a compreender como as doenças se desenvolvem, principais órgãos afetados, riscos, o que significam nomenclaturas de substâncias, etc. Também é usada a fórmula dos testes que pretendem ajudar o leitor a identificar como está sua saúde física e psicológica. Contam ainda com depoimentos de pessoas que superaram enfermidades ou que ainda lutam contra diversos males.

Carta Capital dedica menos capas aos temas de saúde, mas quando o faz, segue a mesma linha das outras. A revista costumava publicar matérias sobre uma doença ou assunto referente à saúde a cada semana - algo parecido com o encarte de saúde que acompanhava a extinta revista Manchete. Atualmente, possui a editoria “Evolução e Saúde”, assinada por médicos como Riad Younes e Dráuzio Varella. A abordagem é mais resumida, com espaço de uma página. Se comparada com as outras três revistas, Carta Capital é a que dedica menos espaço aos temas de saúde.

Equilíbrio, por favor

Talvez falte um pouco de equilíbrio em algumas matérias, especialmente quando um novo tratamento ou medicação é descoberto e lançado. Exemplo disso pôde ser observado pouco antes do viagra – medicamento indicado para disfunção erétil – ser lançado do Brasil em 1998. Na ocasião, Veja publicou uma matéria eufórica sobre as maravilhas da pílula azul. Mas esqueceu de ressaltar que, como com qualquer medicamento novo, é necessário ter cautela. Hoje é fato conhecido que o viagra pode ser perigoso para pacientes com problemas cardíacos, por exemplo.

No geral, as quatro revistas cumprem muito bem a tarefa de expor e esclarecer muitos assuntos pertinentes à saúde dos brasileiros de maneira clara e interessante. Garantem conhecimento a muitos que de outra maneira não teriam acesso a informações importantes, capazes de garantir uma saúde melhor ou até mesmo salvar uma vida.