O ser humano que admira a capacidade de clonar animais, manipular células-tronco e separar precisamente gêmeas siamesas é o mesmo que assiste perplexo aos efeitos de epidemias como Sars, Aids e, mais recentemente, a gripe aviária. Paradoxalmente, a evolução tecnológica da sociedade acompanha a degradação da saúde e do meio ambiente.
Diante desse quadro, que alguns cientistas e pesquisadores já caracterizam como apocalíptico, a imprensa tende a abordar a saúde de maneira paliativa, seguindo a lógica da indústria farmacológica: remediar.
No entanto, na contramão dessa tendência reprodutora caminha um periódico que faz sucesso há mais de 60 anos no mercado editorial brasileiro trocando a abordagem meramente paliativa por uma essencialmente preventiva e conscienciosa. A revista Vida e Saúde procura tratar a saúde não como um objeto da ação de remédios ou dietas, mas sim como fruto de escolhas, hábitos e estilo de vida.
Quem define o papel da revista na imprensa brasileira e sua importância para o jornalismo em saúde no País é Francisco Lemos. Jornalista da editora Casa Publicadora Brasileira há quinze anos e quase três à frente da revista Vida e Saúde, Lemos defende uma abordagem preventiva da saúde. “A mídia não fica de fora dos interesses comerciais”, afirma. “Mas o melhor mesmo é prevenir”.
Canal da Imprensa – Quando Vida e Saúde começou a ser publicada e qual é a sua abrangência no Brasil?
Francisco Lemos - A primeira tentativa de a Casa Publicadora Brasileira [editora e mantenedora da revista] lançar um veículo de saúde foi em 1914. A revista tinha 16 páginas e durou poucos meses. A segunda tentativa foi em 1939 e dura até hoje. Essa revista começou com 24 páginas em preto e branco e a capa em duas cores. A revista passou por inúmeras mudanças - desde a escolha do logotipo até a quantidade de páginas e editorias. Hoje, existem assinantes em todo o Brasil, somando mais de 60 mil, e tiragem de 73 mil exemplares por mês.
Canal – A Vida e Saúde é um dos maiores veículos na área da saúde e tem seu espaço e credibilidade concretizados em todo o Brasil. Qual o resultado desse trabalho ao longo dos anos para a sociedade e para o próprio veículo?
Lemos - O resultado do nosso trabalho diante da sociedade pode ser mensurado através de cartas de leitores, como esta, de outubro de 2005: "Sou assinante de Vida e Saúde há 12 anos. Durante esse período, aprendi muito sobre a alimentação correta e como evitar doenças. Eu sofria muito com dores de cabeça, de estômago e bronquite. Atualmente, posso dizer que vivo com saúde e que sou feliz. Agradeço a todos vocês que fazem esta revista (José Schiavinato,Piracicaba, SP)”. Ou o caso do médico veterinário João Luiz, de Palmas, Paraná, assinante há mais de 30 anos.
Cartas e depoimentos assim chegam mensalmente à redação. O retorno da revista sempre é a credibilidade e fidelidade dos assinantes. Nosso maior prêmio, até aqui, tem sido a satisfação dos leitores.
Canal – Quais são os fundamentos da linha editorial que o veículo segue para torná-lo tão popular? E quais as principais fontes para o embasamento das matérias?
Lemos - O segredo da revista, desde seu primeiro número, é divulgar princípios de saúde e popularizar um estilo de vida saudável. Nós procuramos valorizar a prevenção de doenças, estimular o uso dos remédios naturais (água, ar puro, luz solar, entre outros) e também incentivar a saúde por meio da religiosidade.
Canal – Vida e Saúde apresenta uma grande variedade de matérias sobre o tratamento natural das doenças. Qual é a melhor medicina: a natural ou a tradicional?
Lemos – Medicina natural ou medicina tradicional? Em minha opinião, a melhor medicina é a preventiva. A medicina curativa tem o seu lugar, mas o melhor mesmo é prevenir.
Canal – Essa postura editorial gera algum tipo de conflito?
Lemos - Atualmente não é difícil abordar temas de saúde sob a ótica da medicina natural, sejam eles quais forem, em virtude de que fazer prevenção é o tema do momento na medicina. Todo mundo fala sobre isso e já não há preconceito. Fomos um dos primeiros veículos no Brasil a apresentar para as pessoas o benefício do vegetarianismo e os malefícios do café, álcool ou fumo. No começo, houve muitas dificuldades, mas hoje todo mundo aplaude essas iniciativas.
Canal – E o que dizer da grande parte da imprensa: a saúde está sendo divulgada de maneira mais comercial atualmente?
Lemos - Há um grande lobby que afeta até mesmo os laboratórios farmacêuticos e a medicina. A mídia, em geral, não fica de fora dos interesses comerciais. Mas hoje existe uma “febre” por qualidade de vida. Nós aproveitamos o desejo das pessoas de obter saúde e prolongar a vida e divulgamos nossa filosofia de saúde, sempre com o embasamento científico. |