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Saúde com profundidade

Andréia Moura

Falar de saúde é complicado. Um assunto delicado como este não pode ser tratado de qualquer maneira, com vulgaridade ou descaso, deve haver seriedade. No entanto, ao mesmo tempo, não se pode falar de saúde pisando em ovos, adotando uma postura cheia de “não-me-toques”, de pudores. É necessário encontrar certo equilíbrio, uma forma de abordagem que, além de informar com clareza, sem deixar margem para dúvidas, também não caia na leviandade. Como os meios de comunicação têm falado deste tema? Pode-se dizer que alguns encontraram o equilíbrio necessário. Este é o caso do Fantástico , que tem tocado neste assunto de maneira interessante. Sem fugir ao clichê, de maneira fantástica.

A revista eletrônica não tem um quadro específico de saúde. E não é em todas as edições que o assunto recebe um espaço de destaque. Mas o interessante é a preocupação dos editores em preparar séries de reportagens específicas, séries que tratam de temas relevantes para o momento e que têm profundidade. Parando para analisar, percebe-se que o Fantástico anda a “segunda milha”. É claro que procura informar, apresentando as novidades, casos excepcionais e todo tipo de atualidade que envolve saúde no mundo. Mas, fora isso, se empenha em preparar especiais onde esses temas atuais são desenvolvidos detalhadamente, com apurada pesquisa e com opiniões médicas relevantes.

Na maioria das vezes esses quadros são protagonizados por Dráuzio Varela ou Lázaro Ramos. Profissionais competentes que, por si só, já dão credibilidade total à reportagem. A humanização destes temas também torna a abordagem muito mais chamativa e traz a sensação de realidade. Dráuzio Varela sempre se preocupa em mostrar a aplicação prática das coisas e em fazer um acompanhamento cuidadoso das “cobaias” de suas reportagens. Isso faz com que o público perceba a veracidade do problema e de suas soluções. Uma de suas séries de reportagem que causou grande comoção nos últimos tempos foi “Uma questão de peso”, em que dissecou o problema da obesidade de maneira admirável. Citou todas as causas, explorou todas as hipóteses, enumerou soluções com aquela calma característica que faz o telespectador se imaginar numa consulta médica rotineira.

Dr. Dráuzio toca nas feridas sem medo e fala tecnicamente de tudo sem cair no intelectualismo exagerado. Da mesma forma, não fala com vulgaridade, não fere nenhum princípio moral. O que dá a suas reportagens um nível de ibope grande, além da credibilidade.

As séries de reportagens de Lázaro Ramos poderiam ser mais bem classificadas na área da ciência, mas nem por isso deixam de ter conexão forte com a saúde. Seu último trabalho tratou dos cinco sentidos humanos. Curiosidades, porquês, o funcionamento, problemas decorrentes, tudo sobre o paladar, visão, olfato, tato e audição. De maneira leve, informativa, fez o telespectador se ater a detalhes científicos acerca do andamento de nosso corpo. Séries como “Fôlego”, entre outras, mostram a capacidade de Lázaro Ramos em despertar o interesse do público para questões essencialmente científicas e técnicas.

Deve-se levar em conta que, pelo menos 40% do sucesso desses especiais, é resultado do material visual que Fantástico apresenta. As imagens, infográficos, tudo é muito chamativo e interessante. Como nossa sociedade é extremamente visual, nada mais natural que esse material faça sucesso. Não se pode afirmar que Fantástico faz uma cobertura incessante sobre saúde, mas o que interessa na questão é que, mesmo produzindo quadros esparsos sobre o assunto, sua abordagem é profunda, humanizada e com embasamento médico de credibilidade.

É este o “insight” de Fantástico. Produzir com parcimônia, mas com qualidade e relevância. Ao invés de superlotar a mente do público com informação, se detém em determinado assunto durante algum tempo, instruindo cuidadosamente, detalhadamente, sem esquecer a praticidade da questão. Mais que informar, esses quadros servem para ensinar, mudar conceitos, até mesmo para mudar a vida das pessoas.