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O que aprendi...

Vivian Vergílio

Miserável jornalista que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

Ainda me lembro da dificuldade que tive para redigir meu primeiro artigo para o Canal da Imprensa. Na edição em que estreei, o Canal ia tratar das organizações Globo e minha pauta era analisar um exemplar da revista Mercado Global, publicada pela Editora Globo. Quanta dificuldade eu tive para redigir aqueles 2.891 toques! E para dar o título, então? Mas isto é uma história à parte.

Ainda posso me ver sentada num dos bancos da faculdade, com a revista a ser analisada sobre as pernas cruzadas, com um papel na mão, lápis na boca, e tendo uma “nuvem negra” sobre a cabeça. Tanta preocupação por algo tão simples! Digo simples agora que o texto já está pronto, publicado desde o dia 1º de maio de 2003 e a tarefa acadêmica cumprida. Mas não foi nada simples semanas, dias, horas antes da entrega (calcule quanto tempo levei para escrever os intermináveis 2.891 toques, contando caracteres e espaços).

Hoje, deparo com o mesmo problema: redigir. Enquanto penso no que escrever só me vem uma idéia na cabeça: Miserável jornalista que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Por que é tão difícil tirar as idéias da cabeça e colocá-las num papel? Por que o teclado se apresenta como o “temível comedor de dedos digitadores” e o tempo mais parece o “abominável reprovador de universitários”? Por que as idéias são tão desconexas? Aliás, por que as idéias simplesmente deixam de existir quando só preciso de uma idéia?

Na verdade, acredito que a busca e a aquisição do conhecimento só podem nos levar a dois caminhos: o da prepotência ou o da humildade. Digo prepotência porque, como seres humanos, temos a natural tendência de nos achar bons demais para aquilo que fazemos, de pensar que o nosso conhecimento tem um fim em si mesmo. Em contrapartida, podemos escolher (não sei bem se a gente escolhe mesmo ou se... sei lá) o caminho da humildade.

Humildade aqui não tem aquela áurea bíblica, mas significa simplesmente querer aprender sempre mais, não para ostentar o conhecimento, mas porque percebemos que quanto mais aprendemos mais longe estamos do “verdadeiro conhecimento”, que tanto buscamos. Tudo parece contraditório.

Passei momentos inesquecíveis na faculdade. Conheci gente maravilhosa e aprendi a amá-las e a respeitá-las da forma como são. Aprendi a amar até mesmo a última pessoa que achei que pudesse um dia dispensar um gesto carinhoso: um professor de ética que me assustava tanto a ponto de me fazer pensar em escolher outra profissão, como enfermagem, por exemplo. Também cresci no conhecimento científico, mas isto não é nada, comparado ao outro.

Acredito que a faculdade não te garante um diploma de sábio, conhecedor, ou profissional. Estas virtudes a gente tem que buscar pelo resto da vida. Penso que pelos métodos convencionais nunca atingiremos tais alvos. Bem, sabemos que o conhecimento não se esgota e, como disse Salomão, “não há limites para fazer livros” e “o muito estudar é enfado da carne”. Concordo plenamente com ele. Que homem sábio!

Mais dez dias vão se passar e eu, junto com mais uns 15 amigos estaremos confinados numa beca, enfeitados com uma estola e um chapéu, e centenas de pessoas vão nos aplaudir. Dentro de mais alguns dias, ou meses, ou anos, talvez, centenas, milhares de pessoas vão olhar para nós - os que nos formaremos daqui a alguns dias - e vão buscar em nós o conhecimento, a sabedoria que tanto almejam.

E se olharem para nós o que encontrarão? Nada, além de uma pessoa prepotente ou de uma pessoa disposta a aprender, inclusive com quem pensa não saber nada, com quem mostra não ter nada a oferecer. Um dia ouvi que o “ser” é mais importante do que o “ter”. Acredito que esta idéia é condicional, e muda de acordo com o que temos ou somos.

Desde este meu primeiro “trabalho” para o Canal já se passaram 30 meses, eu escrevi inúmeros artigos e reportagens, fui instruída a fotografar, desenhar, a diagramar e a fazer outras coisas mais, mas a cada dia que passa parece que as dificuldades são acrescentadas na mesma proporção que adquiro o conhecimento.

Miserável jornalista que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

Nestes quatro anos conheci inúmeras coisas, mas aprendi apenas uma realmente importante: Deus não depende do meu êxito para realizar Seus planos ou torná-los um sucesso.

Hoje eu sei que quanto mais eu busco o conhecimento especulativo, mais eu posso me distanciar do “verdadeiro conhecimento”. Percebi que o temor de Deus é o princípio da sabedoria e que esta sabedoria é mais acessível do que um dia eu imaginei.

Quanto ao meu futuro? Minha vida profissional, pessoal? Para onde eu vou? Volto a dizer: Deus sabe. Se Deus tem todos os meus dias escritos desde antes de eu nascer, não tenho porque me preocupar ou estar ansiosa; entrego meu passado, presente e futuro a Ele e é Ele quem cuida do resto. As minhas limitações me dão acesso ao poder ilimitado do Eterno.

Quanto ao meu futuro? Miserável jornalista que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? Agora consigo redigir 5.372 toques (contando caracteres, espaços e título) em uma hora e meia. Mas não posso ir muito além disso.

Quanto ao meu futuro? Bom, esta sou eu, pelas minhas próprias virtudes!

Nome: Vivian Vergilio
Experiência profissional: Vivian Vergílio foi articulista do site canal da imprensa, revista Escola Adventista e jornal tribuna de São Paulo. Foi repórter da revista Escola Adventista diagramadora do jornal tribuna de São Paulo. Redatora do programa de televisão Semana em Foco e fotógrafa, redatora e designer do site click cultural.