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Mais que um diploma, uma vocação

Wendel Lima

Sempre sonhei em formar-me numa profissão que pudesse fazer diferença na vida das pessoas. Que tivesse uma rotina certa e sistemática, mas que não fosse engessado por essas. Que trabalhasse mais com o intelecto do que com as mãos. Que combinasse trabalho de escritório com o de campo. Que impressionasse as mentes mais prodigiosas, bem como as mais limitadas. Que vasculhasse bibliotecas e teses em busca de conhecimento, mas que não ignorasse a sabedoria por trás das vidas “comuns”. Que tivesse grande relevância para a sociedade. Que requisitasse senso apurado de pesquisa. Curiosidade. Que fugisse à superficialidade. Que fosse crítico, analítico. Que conscientizasse os indivíduos quanto ao tempo em que vivem, levando-os a ser agentes ativos e não meros espectadores. Que exigisse responsabilidade social, e dedicação constante e integral da minha parte. Apesar de nunca ter sonhado em ser jornalista, encontrei nessa profissão a possibilidade de realizar os meus ideais e dar a minha pequena contribuição para a sociedade.

Com tantas características interessantes numa mesma profissão, é natural que a mesma atraía a atenção e o investimento de quatro anos de muitos jovens. Mas fascinante por fascinante, muitas atividades profissionais o são. Ademais, a atribuição “fascinante” é das mais subjetivas. No entanto, o que torna o jornalismo singular? Simples, o seu impacto social. Creio que a interiorização deste conceito é a maior contribuição que uma graduação pode oferecer para a formação de um jornalista. No caso do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) entidade confessional, este aspecto se faz imperativo.

É verdade que, o exercício da ética profissional é bem-vindo em todas as atividades humanas. Todavia, no caso do jornalismo, a falta de compromisso social tem implicações nefastas. Com o processo de urbanização, ocorrido de maneira desorganizada e exponencial nas últimas décadas no Brasil, as pessoas perderam a percepção da realidade por meio dos contatos sociais. Desde então, o jornalismo assumiu função quase hegemônica na intermediação entre os fatos e os indivíduos, logo, seu poder de formação de opinião se tornou estratégico. Assediada por inúmeros interesses, sobretudo mercadológicos, a imprensa tende a tornar-se instrumento de benefício individual ao invés do coletivo.

Para muitos este discurso utópico pode soar teórico ou marxista demais, ou no mínimo, inadequado para a sobrevivência de um profissional no mercado de trabalho atual. Tal questionamento é razoável, até porque extremismo nunca são saudáveis. Porém, não defendo um jornalismo teórico ou prático, mas comprometido. É indiscutível que os jornalistas se adaptem a demanda, velocidade e técnicas profissionais, mas jamais, as exigências do mercado deverão suplantar a responsabilidade social individual do jornalista.

Todo esse discurso pode parecer inviável e inatingível para a realidade das redações. Contudo, se perdemos de vista um ideal que transcenda a mediocridade, tendemos a nivelar a nossa prática profissional por baixo, pelo mero interesse econômico e/ou individual. Num tempo em que os grandes ideais absolutos estão a ruir, os jornalistas, por excelência, devem desfraldar as bandeiras de compromisso com a verdade e interesse público. Acima de tudo, a profissão deve ser encarada como uma vocação, e o exercício dela, como prestação de serviço. Penso ser este o principal diferencial que os formandos do Unasp deste ano podem oferecer onde atuarem. Graduados numa instituição cujo lema é “Educar e servir”, assumir uma postura diferente dessa é, no mínimo, incoerente.

Na minha visão, privilégios sempre implicam responsabilidades. Por concluir o ensino superior, já faço parte de uma parcela bem restrita da população brasileira. Mais do que um diploma universitário, estes quatros anos me privilegiaram com conceitos e técnicas que me habilitaram a informar e persuadir. Por poder, de agora em diante, exercer uma profissão que provavelmente influenciará os relacionamentos, estilo de vida, decisões e a cosmovisão de muitos, sinto a responsabilidade pesar sobre meus ombros. Penso que o sucesso desta turma, bem como o meu, poderão ser medidos ao final da vida profissional, não pelo salário ou número de prêmios recebidos, mas pelo quanto trabalhamos em prol do bem-estar humano.

Nome: Wendel Thomaz Lima
Nascimento: 06/11/1982
Experiência profissional: Wendel foi secretário de redação e articulista da revista eletrônica Canal da Imprensa . Publicou matérias no Diário do Campus , Revista Adventista , Revista Escola Adventista , Revista Eclésia , Paraná Online , Observatório da Imprensa , e Jornal da Cidade , de Pindamonhangaba/SP. Foi redator do telejornal Semana em Foco , veiculado no canal fechado TV Novo Tempo . Atuou como assessor de imprensa do II Campori de Desbravadores do Vale do Paraíba. Desde agosto de 2004, trabalha como editor-assistente da revista eletrônica Kerygma, periódico de divulgação acadêmica e jornalística do curso de Teologia do Unasp.