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A essência está nos valores

Adriano Luz

Essa, sem dúvida, é uma grande pergunta. Sou formado. Qual será meu destino? O que realmente me espera no mercado de trabalho? Nossa análise não deve começar por aí, mas do início. A pergunta mostra o produto pronto, na sua fase final depois de quatro anos de aulas. Umas interessantes, outras não. Algumas realmente importantes, outras nem tanto.

No início, são as ideologias e sonhos que acompanham cada um. A ansiedade de logo começar a escrever e colocar suas idéias em prática. Investigar casos de assassinato, resolver crimes políticos, o estudante de jornalismo se sente como um Scherlock Homes, que desvenda os casos mais intrigantes. Mas quando as primeiras matérias lhe vêm à mão, percebe que são sobre fatos corriqueiros e aparentemente de pouca relevância.

O jornalismo é feito disso, fatos que às vezes ninguém percebe, escondidos atrás das preocupações cotidianas, da correria do “pão de cada dia”. Ao jornalista, com sua ótica descritiva, cabe inteirar a sociedade das coisas que não quer ver, como a pobreza que se alastra cada vez mais e que está pegando cada um pelo calcanhar. Muitas vezes não é a pobreza material que mais assusta o jornalista na hora de redigir uma matéria, mas a pobreza de espírito. Essa sim é prejudicial, corruptora e epidemiológica.

O que importa nisso tudo? O que importa não é apenas a formação acadêmica do indivíduo, mas seus valores pessoais. Em última análise, são esses valores que vão reger os textos por ele escritos ou cada editoria que tomar conta.

Alguns dizem no final dessa etapa: “Você se formou. Acabou. Agora você está pronto para o mercado de trabalho, parabéns!” Muito bem, isso em parte é verdade, minhas obrigações acadêmicas terminaram: provas, notas, TCC. Mas no final de uma fase sempre se inicia outra.

Agora começa a fase mais importante. A fase do compromisso com a sociedade, com a verdade dos fatos. Estou sozinho, sem professores, sem orientador, apenas eu e meu “lápis digital”. A forma correta de se escrever eu já aprendi: frases curtas; coesão; coerência; texto enxuto; linguagem coloquial; diga “não” ao gerúndio. Mas tem coisas que você não aprende em uma faculdade qualquer.

Uma das aulas que me lembro bem é a de ética do jornalismo. Ali você compreende o valor atribuído a cada matéria e seu impacto perante a sociedade. O poder que a escrita tem em colocar e tirar pessoas do poder ou de acabar coma moral alheia. Essa é uma ferramenta muito poderosa e que deve ser usada com sabedoria.

Sou formado, isso bem é verdade. Mas sou um formador de opiniões e de pensamentos sociológicos dos indivíduos que lerão minhas matérias. O que vai reger a minha escrita? A resposta é: aquilo que está dentro de mim. E o que está dentro de mim são valores que estão além da ética jornalística, são valores que estão na ética divina. Coisas que só a Bíblia me pôde ensinar.

Em cada linha escrita está a marca do jornalista. Sua personalidade, seu caráter e seus princípios. Que cada dia, mais jornalistas possam se formar com os mais elevados valores para que prevaleça a verdade dos fatos. Essa é a essência de todo bom jornalista.