O meio ambiente é todo o contexto em que a humanidade está inserida. Logo, todo prejuízo a ele infligido será sentido também pelas diferentes nações, independentemente de sua relevância econômica ou poder bélico.
O desenvolvimento de políticas, projetos e atitudes que tenham como objetivo a conscientização dos povos para a preservação do mundo em que vivem é vital. E uma das ferramentas que se destaca nesta tarefa é a imprensa. Ela tem um papel a desempenhar na formação de opinião e transmitir informações que culminem em mudanças de hábitos e mentalidades. Pelo menos essa é a teoria.
Em sua monografia “ Jornalismo Apocalíptico: Uma Análise do Perfil de Meio Ambiente nas Revistas Semanais ”, a aluna Vanessa Candia Moura mostra que a imprensa perdeu seu foco informativo e educador quando trata de assuntos referentes a preservação da natureza, rendendo-se ao sensacionalismo e “terrorismo” para fisgar leitores.
A autora conta um pouco da história do jornalismo ambiental no Brasil e no mundo revelando que, em terras tupiniquins, personalidades como José Bonifácio de Andrade e Silva e Joaquim Nabuco alçavam a voz na luta pela preservação e pelo bom senso já no século IX. Segue analisando as matérias referentes ao assunto em três revistas semanais brasileiras: Época, IstoÉ, e Veja durante os anos de 2004 e 2005.
Vanessa descreve como os veículos impressos analisados mostram a configuração dos eternos conflitos entre fazendeiros, Polícia Federal, políticos e funcionários do Ibama corruptos, povos indígenas e outros em regiões da Amazônia. Notam-se não poucas contradições da imprensa ao apontar estas personagens ora como heróis, ora como vilões culpados pela degradação e baderna administrativa cada vez maior na área.
Lógica de mercado
A perspectiva apresentada pelas revistas de que tudo vai de mal a pior no planeta - e de que um colapso é inevitável - é observada no material das matérias composto por imagens chocantes que enfatizam a destruição de algumas partes do mundo, além de textos permeados por sentenças de devastação e tragédias climáticas iminentes. Quase tudo aponta para um futuro tenebroso sem mencionar alternativas que incentivem a sociedade e autoridades a mobilizarem-se para evitar a evolução desses quadros.
Outra deficiência da imprensa ao tratar da questão ambiental é muitas vezes a conivência com o comportamento irresponsável e predatório da sociedade capitalista, marcada pelo consumismo exacerbado e o desperdício. Receosa de criticar os hábitos da maioria de seus leitores, a mídia deixa de cumprir com seu papel de educar.
Vanessa aponta a causa deste comportamento: “... predomina a lógica de mercado. Se furacões e terremotos estão em auge, se a população parece gostar disso e quiser ver esses ‘fenômenos' de destruição da natureza, é isso que ela vai ter. No entanto, a informação inserida nessas reportagens ‘não é ativa, não possui as causas e os porquês, não é incentivadora nem mobilizadora'”, alerta.
Enfatiza, finalmente, o potencial conscientizador da imprensa tristemente desperdiçado. Em vez de traçar metas para educar a população e garantir mudanças efetivas e duradouras para situações críticas, boa parte dos jornalistas que se aventuram nesta área prefere vestir a capa de profetas do caos, pregando o literal e irremediável fim do mundo, esquecendo-se das reais possibilidades de mudanças positivas.
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