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Uma mão na roda

Milena Oliveira

Desde 1950, a editora Abril está no mercado. Victor Civita, seu fundador, visava grande expansão. Tinha como ideal o alcance de todas as classes brasileiras e um significativo crescimento na área de comunicação. Porém, não foi de imediato que obteve a realização de seus desígnios. Aos poucos, a Abril atravessou crises e obteve seu espaço, sendo de extrema importância em diversos acontecimentos e mudanças na sociedade brasileira. Algumas ruins, outras boas.

Entre outros meios de levar informação, cultura e entretenimento até a população, as revistas se tornaram, ao longo dos anos, o principal segmento de comunicação da editora. Trazendo com elas, uma vasta gama de ideologias que acabaram por se tornar verdades absolutas na cabeça de muitos cidadãos.

A revista Veja, hoje mundialmente conhecida como a quarta revista mais vendida no planeta, traz consigo não só ideologias acatadas pela sociedade, como também, algumas vezes, interviu na história do Brasil. No princípio, em plena época de censura, era tudo muito diferente. As páginas de Veja não traziam qualquer conteúdo. Tudo o que ia para as bancas, precisava estar dentro de rigorosas normas pré-estabelecidas. Inúmeras reportagens e artigos foram recolhidos. Mas em 1976, a época de censura acabou e a qualidade da revista subiu significativamente.

Foi aí, que Veja pôde mostrar livremente a sua visão jornalística perante os fatos. Na edição de 7 de setembro de 1977, a reportagem "O mistério vai acabar?" redirecionou as investigações policiais sobre o assassinato de Cláudia Lessin Rodrigues, que fora encontrada morta nos penhascos de uma avenida do Rio de Janeiro. No final de 1978 e início de 1979, foi realizado um trabalho investigativo sobre o caso que durou meses. No dia 21 de fevereiro de 1978, Veja publicou a primeira reportagem sobre a repressão militar com o título "Descendo aos porões". A reportagem trouxe à tona o caso de um bebê de quatro meses submetido a choques elétricos como forma de intimidar a mãe, acusada de subversão.

A revista semanal também foi responsável pela famosa entrevista em 1992 com Pedro Collor de Melo, irmão do então presidente Fernando Collor de Melo. O entrevistado denunciava irregularidade de desvio de dinheiro público em uma suposta parceria com Paulo César Farias. A entrevista desencadeou novas denúncias e uma série de investigações, culminando no impeachment e renúncia do Presidente da República.

Assim como Veja, porém em outras áreas, a revista Placar e Playboy também se destacam. As duas surgiram em meados da década de 70, onde se percebia nítidas transformações do homem, "machão tradicional", em um indivíduo mais casual, jovem, interessado em outros assuntos, como futebol, aparência, e mulheres. As duas revistas presenciaram e acompanharam essa mudança de perto, cada uma a seu modo, mas, ambas com a função de entreter esse novo estilo de homem.

A Playboy foi a primeira revista masculina brasileira. No princípio, enfrentou a clássica censura, mas, aos poucos, conseguiu chegar onde queria. A revista muito famosa nos dias de hoje, foi responsável por desvendar algumas das mulheres mais conhecidas nacionalmente. Sônia Braga, Xuxa, Luma de Oliveira e Vera Fischer, por exemplo.

A editora Abril também é organizadora de vários projetos que visam o benefício da população brasileira. A fundação Vitor Civita, que carrega o nome do fundador da editora, tem como objetivo contribuir para a melhoria da qualidade do Ensino Fundamental se concentrando nas escolas públicas, onde muitas vezes a situação é drasticamente precária.

A Abril também apóia o ClickArvore, um projeto ambiental que tem por objetivo a recuperação da Mata Atlântica, um dos ambientes naturais de maior biodiversidade de nosso país e do mundo, e, provavelmente, também o mais devastado. É uma iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Ambiental Vidágua, com o apoio da editora, que resultou no lançamento do maior programa de reflorestamento já realizado no Brasil com espécies da Mata Atlântica.

A revista Capricho traz quinzenalmente em suas páginas, desde 1993, a campanha "Camisinha - tem que usar", alertando aos jovens sobre a importância do uso do preservativo e orientando sobre as doenças sexualmente transmissíveis.

A sociedade é fortemente influenciada por uma editora com tanto peso como a Abril. Não só suas ideologias foram absorvidas ao longo dos anos, como também algumas perspectivas publicadas perante determinados acontecimentos acabaram dando continuidade aos mesmos, ou iniciando processos e intervenções políticas.