Grupo Diários Associados foi, em tempos, o maior grupo de comunicação brasileiro. E apesar de já não sê-lo, é ainda um grupo significativo, pelo número elevado de veículos que abarca.
Enquanto era vivo, o conteúdo e os passos do grupo estiveram sempre sob o domínio de Assis Chateaubriand, o seu criador. Um domínio incontestável, visto que a sua personalidade era conhecida por se sobrepor, naturalmente, a todas à sua volta. Sem sombra de dúvidas, Chatô era o grupo Associados.
Como um homem de relacionamentos e poder, Chatô não podia ficar fora da política. Consequentemente, suas fortes relações políticas se intrometiam, vez ou outra, na comunicação dos seus veículos. No entanto, as ações visionárias de utilidade pública pelas quais Chatô era conhecido, ofuscaram qualquer comunicação menos imparcial de seus veículos.
Mas nenhum líder dura para sempre. Hoje, 37 anos após a morte de Chateaubriand, o grupo se mantém grande. Porém não mais o mesmo império de Chatô. Uma rede de televisões, jornais e rádios, espalhados pelo Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Rio de Janeiro, o Grupo Associados é significativo, mas atualmente secundário, tanto em poder como em influência.
Antes de falecer, Chatô decidiu que o Grupo Associados não deveria ser liderado exclusivamente por descendentes, mas por pessoas que merecessem o cargo. Formou-se, então, uma diretoria que se mantém até hoje, em estrutura. Chamada de Condomínio Acionário, esta cúpula é um grupo de 22 pessoas, "funcionários da empresa, que tenham demonstrado desempenho diferenciado e lealdade à filosofia empresarial do grupo".
Apesar da rede de fidelidade que o Grupo Associados tem, os muitos veículos diferenciados, com diretores independentes, acabam por formar um grupo de comunicação que não se destaca, primordialmente, por uma linha editorial distinta e totalitária. A não ser o fator comercial, que é para a empresa o mais importante.
Um levantamento realizado pelo jornalista Agostinho Muniz ( Revista Imprensa , setembro/2000), revela que, dos 193 veículos baianos - entre jornais, televisões e rádios -, 59 são controlados diretamente pelo político Antônio Carlos Magalhães, e enquanto que mais 90 deles sofrem forte influência do mesmo. Dados como este, trazem à mente o perigo do monopólio na comunicação social. No entanto, o grupo Associados, apesar de não ser conhecido por lutas sociais nem defesa dos mais fracos, também não anda por aí a se posicionar politicamente de forma declarada.
Mas talvez isso não importe. Talvez o que mais importe é que ele ainda exista, e prolongue a lembrança do império de Chatô, que um dia teve mais influência do que qualquer outro. |