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Conte até cansar

Angélica Maffi

Tente contar os pássaros amarelos e as borboletas azuis que estão voando agora. Achou difícil? Ao menos conte as pétalas de uma rosa; que tal algo mais previsível como as patas de uma centopéia ou lacraia. Porque já comecei a contar os bens de um império. Patrimônio que inclui dinheiro, posses, sonhos e fantasias conquistados ao longo de anos brilhantes, refletidos no presente promissor. O grupo estado ainda impressiona milhões, todos os dias, pelo seu compromisso com a sociedade.

Jornal da Tarde

"Quatro ovos, duas xícaras de açúcar, essência de baunilha, leite..." Ah! Caro leitor, você está aí?! Pensou que estivesse contando os ingredientes de um bolo? Não, estou apenas lendo as primeiras edições no Jornal da Tarde , propriedade exclusiva do grupo Estado. Praticamente um filho, digno de orgulho desde 1966. Sofreu censura a partir dos seus dois primeiros anos, mas resistiu bravamente, aumentando gradativamente seu prestigio.

Suportar a opressão com bravura, que é o mais importante, qualifica o Jornal da Tarde como um dos veículos mais bem-sucedidos do grupo e do País. E não pára por aí, essa trajetória de lutas e vitórias trouxeram "jóias" que avolumam os "cofres morais" do império. Essas jóias são os prêmios conquistados. Eles excedem o valor que se pode comprar. Em 1974, Pena de Ouro da Liberdade é um deles, outorgado pela Federação Internacional dos Editores de Jornais.

Com a ditadura de Getulio Vargas, pedras e espadas não foram o suficiente para afugentar o inimigo. Eles atacaram mesmo assim. Mas o que será páreo para prejudicar nosso brilhante jornal?

Há bem maior que seu trabalho? Há satisfação melhor de ser sentida que o reconhecimento de nossas virtudes? Para o Grupo Estado a resposta é não. Tanto fizeram que em 1981, mais precisamente no mês de agosto, os jornais O Estado de S. Paulo e o Jornal de Tarde ganham uma ação contra a União Política. O processo estava em andamento pelas perdas sofridas em 1973, com a apreensão das edições 10 e 11 do mês de maio. Apenas esses dois veículos foram proibidos de noticiar a renúncia de Cirne Lima, ministro da Agricultura durante o governo Médici.

Agência Estado

Integra também o patrimônio do Grupo Estado a Agência Estado . Criada em 1970, especificamente para dar suporte operacional às unidades de mídia do grupo, O Estado de S. Paulo , Radio Eldorado e Jornal da Tarde . Hoje a Agência Estado é líder em informação para o mercado financeiro.

Aproveitando sua expansão, ela passou a fornecer notícias e imagens a clientes externos e para veículos de pequeno e médio porte. Final dos anos 80, já independente, fora dirigida por Rodrigo de Mesquita, ex-diretor do Jornal da Tarde .

O objetivo da Agência , desde sua fundação, era desenvolver um sistema de comunicação eletrônica para diversos setores da economia brasileira, o grande alvo. As organizações que até então estava fragilizadas, muniram-se da Agência com muita informação precisa e confiável. Esteve sempre pronta a solucionar os problemas de comunicação.

As expectativas superaram qualquer parâmetro estabelecido. Em 1991 a Agência Estado incorporou o Broadcast , empresa que transmitia cotações das bolsas nacionais e internacionais. Por uma reformulação do projeto inicial foram se aprimorando os primeiros conceitos, além das cotações, os clientes começaram a receber em tempo real informações e análises do mercado financeiro. A crescente dos números de instalações comprova: em nove anos saltou de 200 para mais de 9000. A Broadcast é líder de mercado em informações financeiras.

Assim como o Jornal da Tarde , a Agência Estado conquistou seu lugar na herança de bens. Comecemos a contar seus prêmios. O primeiro deles em 1992, Prêmio Libero Badaró, no mesmo ano o Prêmio Esso e em 1993 foi o Prêmio Destaque do Ano da revista Telecom, uma das mais respeitadas publicações de telecomunicações do Brasil.

Programas semelhantes a Broadcast foram se agregando ao grupo, como a Agrocast , sistema informativo dedicado à comunidade de Agronegócios. A Midiacast , sistema de informações para jornais, revistas, emissoras de televisão e rádio. Uma espécie de noticiário geral dividido por editorias, via internet e satélite.

Rádio Eldorado

Contar notas musicais pode ser uma boa pedida. Encontramos pelos cofres do Grupo Estado ainda, a Radio Eldorado . Voltemos a 1958, dois anos após a eleição de Juscelino Kubitschek, nosso pragmático e feliz presidente que restabeleceu a plena democracia nos prados da "Mãe Gentil", encontramos uma rádio pronta a ser inaugurada.

Seus fundadores, Julio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita, usaram de toda influencia que dispunham para conseguirem uma concessão de rádio. Por meio da qual suas ideologias democráticas seriam mais fortemente transmitidas, agora pelas ondas sonoras.

A emissora contava com o que existia de mais moderno em termos de equipamento. Fora instalado no sétimo andar do prédio do próprio jornal O Estado de S. Paulo . Além dos estúdios isolados por borracha, a construção possuía um grande auditório com trezentas poltronas, equipado com instrumentos musicais de ultima geração. Um piano Steinway&Sons , uma celesta (um instrumento semelhante ao piano) Mustel e um órgão Hammond, entre outros.

Vitórias éticas e prêmios pela verdade sobrepujam qualquer valor em cifras. O bem maior está em possuir o poder, seja ele para informar, delatar ou mesmo integrar à mente humana mais uma linha editorial. Uma visão de mundo.