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Independência e liberdade

Thaísa Elis

Cento e trinta anos dedicados à informação, credibilidade e confiança do leitor. Fatores como estes, é que fazem do Estadão um dos maiores e mais bem sucedidos grupos de comunicação do Brasil.

"Fundado em 1875 com o objetivo de defender os direitos do ser humano e os valores da democracia", O Estadão tem exercido grande influência política e cultural na sociedade brasileira, sem deixar de lado seu conservadorismo tradicional.

No decorrer de sua história, sofreu repreensões por parte dos militares, principalmente no período da ditadura. Como todo veículo de imprensa, o Estadão foi proibido de veicular suas notícias. Apesar da proibição, no lugar das matérias vetadas foram veiculados poemas de Camões e receitas culinárias. Forma ousada de rebelião dentro da ditadura, para mostrar que o grupo, mesmo tendo que acatar uma imposição, não se curvava perante as autoridades e denunciava a afronta aos valores da democracia.

Sua influência pode ser notada quando se observa os grandes momentos políticos que o país viveu. Em 1901, Júlio Mesquita e Cerqueira César lideraram a primeira dissidência republicana que iniciou uma linha de oposição aos governos estadual e federal. Já em 1909, o jornal apoiou a candidatura de Rui Barbosa em oposição ao candidato militar Marechal Hermes.

Em 1926, O Estadão apoiou a fundação do Partido Democrático, em seguida mostrou-se complacente com a Aliança Liberal e a candidatura de Getúlio Vargas. Apesar do apoio à Vargas, o grupo apresentou-se inconformado com o autoritarismo do presidente e articulou a Revolução Constitucional com o objetivo de acabar com seu mandato.

Na época de Collor, o País ainda se recuperava do golpe militar e já sofria um escândalo na política. De início, O Estadão foi a favor da candidatura, no entanto, depois que as fraudes foram descobertas, todo poder do veículo foi usado contra Collor.

Além de promover o embate político brasileiro, o grupo ainda rompeu tabus e abriu debates sobre o principal fantasma que ameaçava a imprensa - a concentração dos veículos de comunicação em grandes conglomerados.

Com o título "A síndrome do escândalo", O Estadão censurou a mídia dos Estados Unidos. O ataque começou em 13 de janeiro de 2003 quando dedicou o principal editorial a respeito da cartelização das comunicações nos EUA.

É preciso frisar ainda que o grupo Estado não só desenvolveu uma influência política diante dos brasileiros, mas também influência cultural. Em 1934, o então governador de São Paulo, Armando Salles, assinou o decreto da criação da Universidade de São Paulo (USP), uma idéia que foi proposta pelo jornal ainda em 1927.

Desde sua fundação, O Estadão tem compromisso com o brasileiro, no que diz respeito à informação, direitos e deveres da sociedade. Credibilidade, qualidade, seriedade e independência fazem do grupo um dos veículos mais bem prestigiados e respeitados do Brasil.