"Uma Folha só pode fazer uma árvore?" Sim, em dois mundos: o da fantasia e do jornalismo. Mas fiquemos com a fantasia de lado e vamos para a realidade da notícia. Literalmente o nome Folha ganhou força nos meios da comunicação impressa, suficientes para formar um Grupo, semelhante há uma árvore que cresce em espaço, independência e informação, bem ao meio de uma floresta de concorrentes. Não acredita? Basta acompanhar a sua história.
O Grupo Folha nasceu em 19 de fevereiro de 1921, pelos fundadores Olival Costa e Pedro Cunha, jornalistas - na época galhos da árvore adversária, O Estado de S. Paulo . E foi no segundo andar de um prédio da Rua São Bento, São Paulo, que a sementinha Folha começou a crescer. No jornal vespertino, Folha da Noite tinha um seleto grupo de assalariados urbanos - que quando regressavam para casa não dispensavam uma passadinha para ler ou comprar o jornal, ou seja, pegar um pouco de sombra e água fresca.
Os primeiros galhos
Inicialmente, as primeiras páginas do jornal foram impressas nas oficinas de O Estado de S.Paulo . Só após quatro aninhos de vida, ganhou sua primeira impressora - uma rotativa alemã Koenig Bauer. No mesmo ano (1925), foi criada a segunda verdinha jornalística, a Folha da Manhã - edição matutina da Folha da Noite.
Para fortalecê-la, em 1931 houveram algumas mudanças e a Folha ganhou um adubo diferente. Ela foi vendida para o cafeicultor Octaviano Alves Lima e recebeu o nome de Empresa Folha da Manhã . Em 1953 todas as instalações e impressões das Folhas se mudaram para um novo terreno, na Alameda Barão de Limeira, já com a terceira filha, a Folha da Tarde , mas logo desapareceu.
Contudo, em 10 de março de 1945, quando Vargas ainda mantinha o poder, Octaviano vendeu a Empresa Folha da Manha para José Nabantino Ramos, Clóvis Queiroga e Alcides Meirelles. Quando assumiram, manifestaram um dever: estar a favor da democracia e manter a imparcialidade partidária e intransigente defesa do interesse público.
Nabantino fez diversas mudanças no Grupo Folha, algumas inovadoras, outras sem muitos resultados. Exemplo disso, quando em 1949 relançou a Folha da Tarde , mas logo convenceu-se que não existia fatos novos suficientes para manter os três fascículos.
Bom, como toda árvore precisa ser podada. Em 1 de janeiro de 1960 a Empresa Folha da Manhã unificou os três jornais para formar, o até então, a Folha de S. Paulo.
No ano seguinte, o Grupo Folha viveu uma crise econômica. Nabantino em 1961 enfrentou dificuldades com o projeto de renovação do parque gráfico e fazer frente ao aumento do preço do papel, que marcou-se com uma greve no jornal. Para evitar a serra elétrica, a Folha em 13 de agosto de 1962 vendeu o controle acionário da empresa para os empresários, Octávio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho.
Com a nova direção, houve um diferente processo operacional e diversificado para dar continuidade as mudanças. "No Grupo Folha, as mudanças editoriais repercutiram, apontando para novas feições gerenciais e gráficas", explica o historiador Jorge Cláudio Ribeiro, na obra Sempre Alerta .
A nova fase aconteceu no fim dos anos 60 e início de 70, quando a Folha ganhou um parque gráfico mais modernizado e tecnológico. Ela foi a pioneira no Brasil com a impressão offset em cores - com largas tiragens - e em seguida o sistema eletrônico de fotocomposição. Já na flor da idade, a Folha inaugurou em 1983, a primeira Redação informatizada na América do Sul, que economizou 40 minutos de processo de produção.
E para cultivar a base da Folha , a equipe jornalística integrou o jornalista Cláudio Abramo - saindo de O Estado de S. Paulo onde trabalhou 10 anos. Com a sua entrada, começou uma reforma jornalística histórica para a Folha . Antes, porém, Abramo foi preso.
Após liberto da prisão (1975) do DOI-Codi - órgão central da repressão militar - ele voltou a redação com muitos planos. Começou a montar uma equipe forte de jornalistas, tais como: Antônio Pimenta Neves, Roberto Muller, Perseu Abramo, Washington Novaes e Alexandre Gambirasio, entre outros. Passaram a escrever na Folha Gerardo Mello Mourao, Oswaldo Peralva, Flávio Rangel, Glauber Rocha, Paulo Francis, Newton Rodrigues, Alberto Dines, entre outros.
Com um grupo seleto, a Folha ganhou as atuais colunas Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, a primeira coluna crítica no Brasil, por Alberto Dines, Jornal dos Jornais . Novos articulistas na seção Análise / Perspectiva , e maiores coberturas sobre política, educação e cultural, com destaque o caderno Folhetim , editado por Tarso de Castro - marco do jornalismo cultural na segunda metade da década de 70. O jornalista Boris Casoy participou do Grupo Folha como chefe de redação e editor de Painel (1988), que em seguida ingressou na carreira do telejornalismo.
Foi a partir dos anos 80, com tantas mudanças, que a Folha tomou forma adulta. Em 1985, o Grupo aproveitou o embalo dos grandes acontecimentos políticos e sociais que o País vivia para lançar um novo projeto visual, editorial e de serviço, além de mais ousado e criativo.
Os ataques dos agrotóxicos
No entanto, tempos difíceis sucederam a sua história. Durante a ditadura, o agrotóxico "censura" chegou as redações da Folha . "Com o regime militar, a posição do Grupo Folha foi em princípio, de extrema cautela", afirma Cláudio Abramo - que esteve vinculado ao jornal (1965)-, na obra A regra do Jogo . Abramo acompanhou o período dos ataques e admira a política que Frias aplicou ao jornal. Na época também foi formado o núcleo policial Agência Folha , que tempos depois passou a comercializar seu serviço noticioso 24hs por dia.
A tensão piorou, quando na manhã de 16 de setembro de 1977 o cronista da ultima página da Ilustrada , Lourenço Diaféria, foi preso e enquadrado na Lei de Segurança Nacional. O motivo seria de uma crônica que Lourenço publicara duas semanas antes e que o Exército teria considerado ofensivo a Duque de Caxias. No dia da prisão, o espaço do cronista saiu em branco, fato que marcou esta época (1964-85).
Em 1991 foi a vez da Folha tomar mais uma atitude agressiva. Ela foi o primeiro órgão da imprensa brasileira a pedir o impeachment do presidente Fernando Collor de Melo.
A boa safra...
A Folha começa a dar muitos frutos. Ela criou o Datafolha - instituto de pesquisa de opinião pública e de mercado. O jornal Notícias Populares , mais voltado há um público de classe média e baixa. No ano que foi lançado o plano Real, a Folha criou fascículos encartados no jornal. O primeiro, o Atlas/New York Times, foi recorde em vendas na histórias dos jornais, logo no primeiro dia de lançamento. Em 1999, mais frutos do trabalho através do jornal Agora, que substituiu a extinta Folha da Tarde . No ano seguinte, o Valor , voltado há um público mais ligado na economia e nos produtos da associação do Grupo Folha, em conjunto com as Organizações Globo . Criou um Programa de Qualidade com o objetivo de corrigir erros gramaticais e de informação.
Para acompanhar o avanço da tecnologia, a Folha produziu em 1996 um fruto que todos passariam a saborear virtualmente, o Universo Online S.A - fusão do Grupo Folha e do Grupo Abril - , formado o primeiro e maior serviço online do País, sendo uma extensão do seu informatizado banco de dados . Possui a Plural que se tornou uma gráfica de referencia nacional.
Atualmente, a Folha ficou mais sofisticada. Cada dia trazendo novidades aos seus diversos clientes. Que o diga a Folhapar , uma holding que atrai novos sócios e empreendimentos, que em pouco tempo fez o faturamento do Grupo dobrar. "Nosso negócio é conteúdo, mas somos grupo de mídia, nao só de mídia impressa", diz Luís Frias, presidente do Grupo Folha.
Hoje a marca Grupo Folha é consolidada no mercado e já atinge mais de 1 bilhão em faturamento. Segundo dados da Folha, em toda a sua vida, seu patrimônio em papel jornalístico seria suficiente para envolver o planeta Terra 11 vezes, e fazer uma represa com 26 mil toneladas de tinta. É muita informação para uma Folha só! |