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O jornal mais influente do Brasil
Sirlene Liborio

O grupo Folha, fundado no ano de 1921, se tornou na década de 80, o jornal mais vendido no país. A razão de tal crescimento está baseado nos princípios editoriais e profissionais como: pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência. O grupo que era liderado por Olival Costa e Pedro Cunha, propôs a união da Folha da Manhã , Folha da Tarde e Folha da Noite que se tornaram, conseqüentemente, a Folha de S. Paulo .

A missão primordial dos fundadores do jornal era "vigiar" o governo. Como diz um velho ditado popular: "se está na chuva é pra se molhar". O jornal acompanhou muitos movimentos políticos, sendo, muitas vezes, impedido de continuar sua veiculação e honrar o compromisso assumido com o leitor. Passar informações com total imparcialidade. O lema da Folha sempre foi fazer um jornalismo autêntico, com informação descomprometida e franqueza analítica, superar a crise e não fugir por motivos que podem comprometer.

A política editorial da Folha passou por algumas mudanças no decorrer dos anos. Quando Olival Costa apoiou a candidatura à Presidência do paulista Júlio Prestes contra Getúlio Vargas, o periódico foi destruído. Na noite de 24 de outubro de 1930, os getulistas que estavam comemorando nas ruas, entraram nas instalações da Folha e incendiaram os móveis acabando com tudo. Olival assistiu tudo da esquina. A Folha só voltou a veicular em 15 de janeiro de 1931, quando Octaviano Alves de Lima, filho de fazendeiros do café, comprou o jornal de Olival Costa, que morreria em dezembro de 1932.

Depois de todas essas mudanças dentro do grupo Folha , a política cedeu lugar aos assuntos de agricultura e à indústria cafeeira. A tiragem do jornal subiu de 15 mil para 80 mil exemplares por dia. Até 1932, a nova direção do jornal não tomou nenhuma posição com respeito a Vargas. Quando a política estava quase desaparecida do noticiário, a Folha apoiou a Revolução Constitucionalista. Em 1945, com Vargas ainda no poder, Octaviano decidiu vender o jornal por que o considerava um trabalho inútil e uma espera desnecessária. Logo a direção da Folha passaria por novas mudanças.

Em 10 de março de 1945, José Nabantino Ramos, Clóvis Queiroga e Alcides Meirelles assumem a empresa Folha da Manhã com o intuito de defender a democracia e manter "absoluta imparcialidade em relação a partidos de defesa do interesse público". Desde que Nabantino tomou a direção do jornal, defendeu as políticas sociais. No decorrer dos anos, o jornal assumiu a postura de impedir qualquer tipo de fraude dentro do governo.

Um pouco mais

Quando Octavio Frias e Carlos Caldeira Filho assumiram a direção da Folha , a preocupação primordial ainda era a parte financeira. Eles tinham um alvo estabelecido que viriam a atingir somente no final da década de 60. Justamente no ano anterior ao golpe militar, o jornal vendeu 60 milhões de exemplares, alcançando, em dezembro de 1963, setenta mil assinantes e vendendo 100 mil exemplares diários nas bancas. Quando os militares tomaram o poder, a Folha tinha dois colunistas políticos. Além de Hermano Alves, D'Alembert Jaccoud escrevia de Brasília. No ano de 1965, Octavio Frias contratou o jornalista Cláudio Abramo, que havia trabalhado dez anos no Estadão e era o "melhor profissional disponível no mercado". Abramo logo de tornou diretor de redação e depois secretário geral. Depois vieram os jornalistas Antonio Pimenta Neves, Roberto Muller, Perseu Abramo, Washington Novaes e Alexandre Gambirasio.

Com esse time de profissionais, a tiragem da Folha atingiu 200 mil exemplares no mês de janeiro de 1968. O ano foi marcado pelas passeatas estudantis no Rio de Janeiro e as eleições diretas para Presidência da República. O jornal cobriu todos os acontecimentos. No final do ano, o jornal chegou a mais de 1.600 exemplares impressos usando do equipamento de off-set. Foi pioneiro na nova técnica.

Em 1973, Ruy Lopes, diretor da Sucursal de Brasília, foi chamado para ser diretor de redação, tornado-se editor-chefe e controlando as decisões jornalísticas. Cláudio Abramo tornou-se diretor de redação. Em 1974, Boris Casoy foi convidado por Octavio Frias de Oliveira para trabalhar na Folha. Quando Boris, no começo de 1976, pediu para deixar o cargo de editor-chefe e tornou-se editor do "Painel" e assessor de Octavio Frias de Oliveira, Cláudio Abramo, retomou o comando efetivo da Redação.

No dia 17 de setembro de 1977, Abramo deixou a direção de redação. Ele foi substituído por Boris Casoy que tinha um bom relacionamento com a área militar. Então Frias tirou seu nome da primeira página e passou publicar o de Boris como editor responsável. Cláudio Abramo passou a ser coordenador do recém-criado Conselho Editorial. Pouco depois saiu da Folha para fazer parte do Jornal da República . Quando faleceu, era titular da coluna São Paulo . A Folha não perdeu a qualidade com a liderança de Boris, muito pelo contrário.

O Jornal ainda apoiou a campanha da anistia, impulsionou as Diretas e defendeu a Constituinte. O Folhetim que era um caderno editado por Tarso de Castro, marcou a história da Folha na década de 70. Boris Casoy deixou a chefia da Redação em 1984. Foi substituído por Otavio Frias Filho. Editou o "Painel" até julho de 1988, quando iniciou sua carreira na televisão. Entre os anos de 1969 e 1974, a Folha apoiou o governo do general Emilio Garrastazu Médici, um período duro do regime militar. A Folha sofreu duras repressões e publicava seus artigos com dificuldade. No ano de 1971, quatro militantes da ALN (Ação Libertadora Nacional), incendiaram duas camionetes da Folha .

O alvo era o jornalista Frias, que escreveu em resposta, um editorial de primeira página chamando o atentado ato de "banditismo". O jornalista e a família tiveram que se mudar para outro lugar depois das ameaças. A Folha era um jornal informativo muito lido, mas faltava ainda mais densidade política. Várias reuniões foram feitas para discutir o assunto. O jornal cobriu ainda o golpe militar no Chile e a Revolução dos Cravos em Portugal.

Em 1975, Abramo foi preso, mas logo retornou à Folha , onde começou a fazer reformulações no jornal. Ele levou nessa época jornalistas como Paulo Francis, Newton Rodrigues, Alberto Dines, Geraldo Mourão, Oswaldo Peralva, Flávio Rangel e Glauber Rocha. O jornalista Alberto Dines, começou, então, a introduzir a crítica de jornalismo no país. Em outubro de 1976, o jornal passou a cobrir as mortes do jornalista Vladimir Herzog, e do ex-presidente Juscelino Kubitschek, dando ampla cobertura dos casos. A Folha então passou a desenhar seu novo modelo de páginas. Um projeto gráfico que mantém até hoje. Em junho de 1977, Lourenço Diaféria publicou um texto que rendeu mais tarde para o jornal, uma tiragem de 300 mil exemplares. A Folha consagrou-se grande jornal político do país quase 15 anos depois.

O segredo desse sucesso foi a participação de vários políticos como escritores do jornal durante o governo militar. A Folha se consolidou como diário brasileiro de maior circulação. Um dos últimos grandes furos, aconteceu durante o regime militar, quando Jânio de Freitas revelou que, por problemas cardíacos, os médicos do presidente Figueiredo cogitavam uma nova cirurgia. Mais tarde, isso aconteceu. Jânio passou, então, a ser colunista do jornal, fazendo grande sucesso.