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Globo: moedinha nº 1

Danúbia Guimarães

Os bons negócios, durante muito tempo, fizeram parte da história da família Marinho. Guiados pelo famigerado dito popular "Time is money", essa afirmação passou a fazer sentido literal para as Organizações Globo, já que a Time Life, grupo norte americano, deu uma "mãozinha" de milhões de dólares para que o jornalista Roberto Marinho, sócio do jornal A noite, na época, desse abertura ao seu império.

Na ocasião, o senado "torceu o nariz" para a ajuda americana e abriu um inquérito para a criação de uma CPI. O que os senadores não contavam é que, exatamente no dia 13 de dezembro de 1968, foi decretado pelo presidente Artur Costa e Silva o Ato Institucional 5, que lhe concedia o direito de fechar o Congresso Nacional, suspender os direitos políticos e o direito de hábeas corpus, entre outros. Foi o que bastou para que os senadores fossem cassados e a partir daí, com o financiamento do próprio governo, as antenas de transmissão fossem instaladas por todo o País.

Com dinheiro em caixa e apoio dos governantes até os dias atuais, o maior conglomerado de empresas voltadas para mídia e comunicação do País, tinha tudo para prosperar. No entanto, ao longo dos anos, observa-se um quadro de paradoxos econômicos gritantes, envolvendo fusões, dívidas, glórias e falências.

Cara

Logo em sua segunda década de existência, a rede Globo adquiriu uma dívida de quase 10 bilhões de cruzeiros. Favorecidos pelo Plano Real - que ao menos no início apresentava uma moeda mais forte que o dólar - os Marinho tiveram sorte e sua dívida sofreu grande redução, caindo para "míseros" 1,5 bilhões de reais.

Não satisfeito com apenas a rede de televisão, Roberto Marinho decide entrar no ramo de TV a cabo. Para tanto, precisou criar uma holding (fusão) para captar recursos externos e financiamentos em bancos públicos e privados. Como resultado do desejo de Roberto Marinho, surge em 1990, a Globopar, que mantém entre seus sócios, além de empresas privadas, o Banco Nacional de Desenvolvimento, BNDES. O novo empreendimento parecia dar certo, contudo, com o afastamento do patriarca, a empresa começou a dar sinais de problemas, contabilizando em 2002, uma dívida de mais de cinco bilhões de reais.

Passados dois anos, mais uma conta a pagar. Desta vez, a Globopar foi multada pela Agência Nacional de Comunicações, a Anatel. O valor a ser pago foi de R$ 1,2 milhões, pela empresa ter transferido seu direito de exploração do serviço de televisão por assinatura via satélite, para a Net Sat Serviços Ltda. (antiga Sky Brasil), sem prévia autorização da agência.

Numa tentativa de sair do sufoco, os três filhos de Roberto Marinho, contrataram o ex-presidente da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul para organizar a empresa e fazer sumir a dívida que alcançara R$ 6,2 bilhão líquidos. Todavia, o número de assinantes da TV por assinatura vem caindo em média 6% ao ano e a empresa já representa 20% das dívidas das Organizações Globo.

Coroa

Diante das lambanças de seus dirigentes, pode-se concluir, erroneamente, que as Organizações Globo são um sistema falido. Algo que realmente não é verdade. Seu carro chefe, a TV Globo, ainda é a garantia da quitação das dívidas da Globopar, além de ser a parte mais próspera e bem sucedida da família Marinho, totalizando em 2003 um faturamento de R$ 3,6 bilhões. Em setembro deste ano, foi divulgado pela emissora, que seu lucro está estimado em quase cento e quarenta milhões de reais no primeiro semestre do ano, com aumento de 808% em relação ao mesmo período de ano passado.

De acordo com o último boletim do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), das 332 emissoras brasileiras de TV, a Globo possui 115 emissoras entre geradoras e afiliadas. Sem contar que sua programação pode ser assistida por cerca de 99,84% dos 5.043 municípios brasileiros, confirmando seu poder de atuação.

Outra parte das Organizações Globo que se mostra vitoriosa é o portal Globo.com, que apresentou em um ano, crescimento de 18% de usuários únicos, ocupando o 3º lugar no ranking dos portais mais visitados do País. Há também a Som livre, marca fantasia da Sigla - Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda, que, além de desenvolver e comercializar trilhas sonoras das novelas da Rede Globo, também iniciou o desenvolvimento de coletâneas e CDs de artistas.

A mídia impressa e o rádio não ficam atrás na calçada do sucesso, sendo representados pelos jornais O Globo, Extra, Diário de São Paulo, Valor Econômico , Globo AM, FM, 98 FM, BH FM e rede CBN e pela Editora Globo, responsável pela publicação das revistas Época, Galileu, Casa&Jardim, Crescer, Criativa, Marie-Claire, Pequenas Empresas Grandes Negócios, entre outras.

Pelo que se pode perceber, as Organizações Globo estão longe de ser um sistema falido. Muito embora os momentos de glória já não sejam tão freqüentes como na época de Roberto Marinho, graças a Rede Globo, carro-chefe da empresa, hoje pode-se ter um vislumbre de como tio Patinhas, famoso personagem infantil da Disney, se sentiu ao adquirir sua primeira moedinha, a nº 1.