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| Poder, arte e mulheres |
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| Heloísa Barbosa |
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Era gago, enfrentava dificuldades nos estudos e só aos 10 anos de idade se interessou pela escola quando aprendeu a ler em jornais. Um brasileiro muito mais fluente em francês e alemão do que em português. Nasceu em Umbuzeiro, na Paraíba. Seu pai fez questão de manter os filhos em contato com a cultura da região. Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, um marco na história da imprensa no Brasil, começou a escrever em pequenos jornais com 14 anos, e desde então sua característica foi atacar de frente políticos e personalidades que diferiam de suas opiniões. Tinha uma visão administrativa de oportunidades à frente de seu tempo. Revolucionou a forma de fazer jornal impresso no Brasil, e foi dele a iniciativa de trazer um “meio subversivo”, como ele mesmo chamou a televisão, para as terras tupiniquins. Ajuntou sob seu domínio 36 jornais - todos com uma coluna de sua autoria -, 19 emissoras de televisão, 25 rádios, 18 revistas e duas agências de notícias. Todos esses veículos deram a Chatô, como era chamado pelos íntimos, um poder político enorme. Foram seus jornais que apoiaram decisivamente Getúlio Vargas e a aliança na tomada de poder, em 1930. Insinuou que Castelo Branco seria um bêbado, além de ser contra os planos de Juscelino Kubitschek de construir Brasília. Quando a capital federal ficou pronta, declarou: “Agora o jeito é ocupar!” Além de bom profissional da imprensa, influenciando a opinião do povo, ocupou também vários cargos políticos como o de senador pela Paraíba e depois por Maranhão. Em algumas eleições, deixava que apenas seus jornais fizessem a campanha, sem se dar ao trabalho de visitar a localidade que queria representar nos plenários do governo. Também foi embaixador do Brasil na Inglaterra, membro da Academia Brasileira de Letras, e fundador do Museu de arte de São Paulo, o MASP. Antes da doença que o levou a morte se agravasse, Chatô tentou perpetuar a continuidade da maior empresa de comunicação da época. Os Diários Associados foi colocado sob a tutela de 22 acionários, os quais seriam responsáveis por uma cota de propriedade da empresa. Esse sistema ainda funciona de acordo com as regras de Chateaubriand. No entanto, as cotas das ações dos Diários Associados não podem ser divididas ou transferidas por herança. Quando um de seus detentores morre, um sucessor é escolhido por meio de voto, levando-se em consideração sua contribuição à empresa. Apesar de não ter o mesmo tamanho que tinha na época de Chatô, os Diários Associados é hoje o sexto maior grupo de comunicação do País, detendo, entre outros, veículos como Correio Brasiliense, Diário de Pernambuco e o Imparcial , no Maranhão. Chatô formou-se em direito. No início de sua carreira costumava fazer trabalhos jurídicos de graça. Afinal, dizia, “é melhor ter devedores de favores que de dinheiro”. Não obstante, teve muitos desafetos. Um desses, certa vez, ameaçou-lhe resolver uma pendenga usando métodos napolitanos, “pé no peito e navalha na garganta”. Chatô retrucou: “Responderei com métodos paraibanos. A diferença é que em Catolé do Rocha não usamos navalha, mas peixeira. E em vez de cortar a garganta, cortamos mais embaixo.” Imprevisível, sem nunca perder a tradição de sua terra, certa feita sagrou, com um chapéu de cangaceiro, o ex - primeiro ministro britânico Winston Churchill a “Cavaleiro da Ordem do Jagunço”. Até o último momento de sua vida, mesmo doente, Chatô manteve a direção de seu império. Naquele tempo já surgia no cenário da mídia nacional Roberto Marinho, que mais tarde consagrou-se dono do principal império de comunicação do Brasil a exemplo de Chatô. No funeral do “Velho Capitão” um amigo pendurou ao redor de seu caixão três quadros. Um inquisidor espanhol, um bispo, e um Renoir, retratando uma mulher nua. Era uma homenagem às paixões da vida de Chatô: poder, arte e mulheres. |
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