Em julho de 1957, Maurício Sirotisky Sobrinho comprou a Rádio Gaúcha em sociedade com Arnaldo Ballvé, Frederico Arnaldo Ballvé e Nestor Rizzo. Porém somente em 1970 a empresa se fortaleceu. Foi criada a Rede Brasil Sul. A sigla RBS foi "inspirada nas três letras das gigantes empresas estrangeiras de comunicação CBS, NBC e ABC" segundo Sirotisky.
A RBS, é composta por seis jornais diários no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, um portal de internet, 26 emissoras de rádio, duas emissoras locais de televisão, uma gravadora, 18 emissoras de TV afiliadas à Rede Globo e a Rede Gaúcha Sat de rádio, com 123 emissoras afiliadas distribuídas em 10 estados brasileiros. Faz parte do grupo também, um canal voltado para o segmento rural e uma empresa de logística.
Com quase meio século de existência, a Rede Brasil Sul nunca demonstrou "imparcialidade" ao dar notícias. Sempre gritou aos quatro ventos, qual a política que defende. E qual é? Nunca assumiu um posicionamento político, mas sempre foi favorável ao lucro. Mesmo que isso significasse "ficar ao lado do PT", ou pelos menos "fingir".
Durante a ditadura, por exemplo, a RBS foi um dos poucos grupos de comunicação que cresceu e se desenvolveu, sem nunca ter sido molestada pelos ditadores. Não precisou driblar a censura, e não houve nenhuma condenação sequer a qualquer veículo durante o período negro do regime militar. Porém, quando um dos colunistas do grupo declarou que Fernando Collor de Melo era "um ponto de interrogação bem penteado", foi motivo de censura e suspenso das atividades na empresa.
Vale ressaltar ainda, que por conseqüência da política do grupo RBS visar lucros, em dezembro de 2002 - último mês do governo Fernando Henrique Cardoso - foram assinadas 96 concessões de retransmissoras espalhadas por todo País. Em apenas um dia, o Diário Oficial publicou 46 novas outorgas. Entre os principais beneficiados está a RBS. O grupo gaúcho obteve 21 novas concessões.
È inegável que a Rede Brasil Sul é líder nos mercados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A questão é entorno do que é publicado nos jornais impressos da RBS. Dentre os seus seis títulos que possui, ( Zero Hora, Diário Gaúcho, Pioneiro, Diário de Santa Maria, Diário Catarinense e Jornal de Santa Catarina ), o alvo das críticas é o Zero Hora . Gilmar Cristani em sua página www.fichacorrida.com.br, afirma que o " Zero Hora mostra que pode ser muito mais escroto na arte da luta política travestida de jornalismo".
O motivo dessa afirmação foi a manchete do ZH sobre o assalto do qual o Ministro do STF Eros Grau foi vítima. O jornal culpa o governo Lula da insegurança no país. E se até o ministro é assaltado, o que será de nós cidadãos comuns? E os elogios não param. A edição da revista, porém, de novembro de 2003 afirma que "...sob o manto de concessões de serviço público e o uso distorcido do sagrado direito de imprensa, busca controlar a opinião pública, em defesa não da informação pública e democrática mas dos seus negócios e interesse privados".
Mesmo com a "chuva de canivetes" que o ZH recebe, e com as campanhas para não assiná-lo e nem comprá-lo, o jornal está no ranking de um dos jornais mais lidos da região. Segundo pesquisas do Instituto Verificador de Circulação (IVC), os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, constituem o mercado que mais lê jornal no Brasil, e é a única região no País, que apresenta expressivos índices de crescimento na circulação de jornais. E não pára por aí.
A RBS, detém em seus jornais, a segunda maior circulação de jornais do Brasil com mais de 400 mil exemplares ao dia. Só perde para a Infoglobo. E aqui, entra uma curiosidade. A Rede Brasil Sul, foi o único grupo de mídia do país a obter sucesso com o formato tablóide, seguindo a tradição européia, com a aquisição do jornal Zero Hora na década de 70.
Mas não é só em rádio, TV e impressos que a Rede Brasil Sul investe. Ou pelo menos "tenta" investir. O grupo participou ativamente do processo de privatização da telefonia no Brasil. Uma pesquisa realizada por Suzy dos Santos (UFBA) e Sérgio Capparelli (UFRGS), afirma que a RBS esteve presente em praticamente todos os momentos do processo de privatização das telecomunicações no país. Em 1996, por exemplo, ganhou a licitação para a privatização de 35% da Compainha Riograndense de Telecomunicações, por meio do consórcio Telefônica do Brasil. O que mais tarde, em vez de solidificar a participação do grupo no mercado de comunicações da região sul, serviu de base para a entrada da operadora global no país e restringir a expansão do grupo.
Os prejuízos com telefonias continuaram. A RBS foi obrigada a tomar medidas drásticas depois da parceria feita com a Telefônica da Espanha. Reduziram custos nas empresas, demitiram 275 funcionários e extinguiram programas de incentivos, além de reordenar gastos com a produção de programas. Isso gerou uma decisão do grupo RBS rever sua política de expansão em outros setores, principalmente na área da telefonia.
Contudo, a Rede Brasil Sul, também veste a camisa da ação social. Atua em 13 frentes de trabalhos sociais, envolvendo vários setores do grupo. Os veículos de comunicação, fazem campanhas filantrópicas estimulando os leitores e espectadores. Já a corporação se encarrega de projetos como o da duplicação da BR 201, do fortalecimento da estrutura de saúde pública no Sul do País e da doação de R$ 9 milhões para a construção do Hospital da Criança Santo Antônio. Todos os anos, a RBS investe mais de R$ 52 milhões em projetos sociais. O que representa quase 10% do faturamento bruto anual.
A Rede Brasil Sul, é um "Império Regional", mas o seu objetivo é ser reconhecida em todo o Brasil. Quer mostrar a que veio e ser efetivamente um império nacional. |