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Quem quer dinheiro...

Eliane Teruel

Quem não conhece o histórico financeiro do SBT não entende como este grupo de comunicação cresceu tanto nos últimos anos. Sua inauguração em 19 de agosto de 1981 foi marcada por coragem e ousadia, já que tanto a audiência quanto o investimento publicitário eram disputados pela Rede Globo, Rede Record e Rede Bandeirantes. Teoricamente não havia espaço para mais uma rede televisiva, mas Silvio Santos insistiu e ao invés da costumeira compra de espaço em outras emissoras para a exibição de seus programas - o que era economicamente mais viável - buscou a concessão de sua própria TV junto ao governo.

A programação inicial foi marcada por filmes e desenhos. As atrações populares dirigidas para a classe média/baixa, logo fizeram parte não só da programação, mas também da política do SBT que atraíram grandes massas por intermédio dos programas de Flávio Cavalcanti, Hebe Camargo, Boris Casoy, Jô Soares, Carlos Alberto de Nóbrega, entre outros.

Mesmo com um elenco deste calibre, os primeiros dez anos da emissora não garantiram lucro. No final dos anos 80, programas considerados qualitativos (pelo conteúdo mais educativo e informativo que apenas entretenimento) como Aqui e Agora, Programa Livre, Jô Onze e Meia entre outros programas, o SBT passou a ter seu investimento publicitário aumentado de 5% para 15%. Isto significava, finalmente, o início do sucesso financeiro da emissora.

Nesta mesma época surge o Projeto Anhanguera, que deveria centralizar as operações da emissora, reunindo num só espaço suas cinco unidades denominadas Vila Guilherme, Teatro Silvio Santos, Sumaré, Camarés e a própria unidade Anhanguera.

Instalado no km 19 da Rodovia Anhanguera, em um terreno de 231 mil metros quadrados, sendo 62 mil de área construída, o complexo significa a arquitetura estratégica da rede. Este foi um projeto pioneiro nacionalmente, pois o complexo tornou-se uma verdadeira cidade de televisão que permite desde a produção horizontal completa da gravação de programas, até sua geração nacional num único edifício. Isso sem contar da infra-estrutura para o atendimento eficiente de 2.500 pessoas que circulam pelo complexo diariamente.

E a coisa não pára por aí. 120 milhões de dólares foram investidos em infra-estrutura para esta nova sede. Todo esse equipamento de última geração foi adquirido para garantir qualidade de produção. Essa mudança foi o bastante para atrair os olhares da imprensa, anunciantes e formadores de opinião. Assumindo publicamente com orgulho a posição de segundo lugar no mercado, o SBT passou a ter 21% de participação em audiência e um faturamento de quase 140 milhões de dólares.

Outro investimento marcante foi a troca da antena de transmissão de Sumaré, responsável pelo sinal do SBT na Grande São Paulo, por uma antena computadorizada com tecnologia digital.

O investimento vai além da tecnologia, pois contratos com as gigantescas produtoras norte-americanas Warner e Disney foram assinados. Isso garante elevados índices de audiência - 25% e, conseqüentemente, o aumento de investimentos publicitários na emissora (participação do bolo publicitário nacional em 21%).

Hoje são 15 milhões de telespectadores de todas as faixas etárias e classes sociais assistindo o SBT. São 108 emissoras estrategicamente espalhadas pelo Brasil, cobrindo 98% da população e atingindo também 98% do Índice de Potencial de Consumo, o que demonstra uma abrangência nacional quase que totalitária.

A história do sucesso do SBT não foi garantida desde seu início. Perseverança e ousadia marcaram a trajetória desta emissora que lutou a cada passo por sua existência. Vejamos até onde eles são capazes de chegar.