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... todos os jornais assumissem seus erros

Rodrigo Galiza

02 de outubro de 2006. O partido do governo pede que novas eleições Presidenciais sejam feitas, pois afirma ter sido injusto o resultado. A razão: uma reportagem tendenciosa influenciara na intenção de voto de grande parte dos indecisos.

“ É comprovado o envolvimento de Lula no mensalão”. Afirma a manchete de capa do maior jornal do país do dia 30 de setembro de 2006. A resposta dos brasileiros é imediata. A oposição aproveita a oportunidade para ganhar mais apoio dos indecisos. Durante toda aquela segunda-feira, há uma comoção nacional que somente, na noite do dia seguinte, é percebido o resultado. Melhor dizendo, o estrago.

As pesquisas antes da publicação da reportagem apontavam o atual presidente como favorito por poucos pontos percentuais do segundo colocado. Mas como era véspera de eleição, a influência da reportagem foi o suficiente para que no dia 1 de outubro os brasileiros votassem contra o Lula.

É descoberto depois, que as informações fornecidas ao repórter não passavam de uma farsa. Erro de informação. Nada estava confirmado apesar das suspeitas. No dia seguinte as descobertas, o responsável pelo jornal pede desculpas ao Presidente da República e á nação brasileira. Mas já era tarde demais. O presidente havia perdido sua chance de ser reeleito. Apesar da reputação do presidente ter sido restaurada, pois foi comprovado que ele nada tinha a ver com as falsas acusações levantadas pelo jornal, a ferida foi sarada, mas a cicatriz seria levada pelo resto da vida.

Tudo isso não passa de uma grande invenção. Mas esse pequeno exemplo reflete bem qual o resultado de um erro cometido por um veículo de comunicação. É indiscutível hoje o poder de influência que a imprensa possui. Poder para transformar um playboy nordestino em um culto Presidente. Um oportunista em uma vítima. Um inocente num culpado. De construir toda uma nova história.

Foi justamente isso que aconteceu em agosto de 2000, quando o jornal Correio Braziliense publicou uma reportagem sobre esquemas de corrupção envolvendo o ex-secretário do Palácio do Planalto, Eduardo Jorge. A reportagem falava que o então secretário do governo FHC, estava ganhando dinheiro desonesto nas licitações de empresas de eletrônicos com o Banco do Brasil. As informações equivocadas, procediam de uma fonte que havia ligado para o repórter Alexandre Machado, um dia antes da matéria ser publicada na capa do jornal. Cientes do erro, o repórter e o diretor de redação Ricardo Noblat pediram desculpas no dia seguinte pelo erro. Algo inédito no jornalismo brasileiro, até ganhou prêmio.

Se todos fizessem como o Correio , mostrando o que acontece com o jornalismo, muita coisa seria diferente. Os prêmios não seriam mais dados aos jornais que publicassem seus erros na primeira página, pois todos estariam publicando os devidos equívocos em locais visados. Os agrados seriam dados àqueles jornais que menos erraram durante o ano.

Sabendo da responsabilidade de seu trabalho, os jornalistas se esforçariam mais para não saírem na página de erros cometidos. Os grandes jornais contratariam os mais honestos. Os jornais ganhariam mais credibilidade, pois transmitiriam transparência em suas posições. Eles não seriam comprados pela maior publicidade a fim de publicarem uma reportagem ou matéria tendenciosa. O jornalismo elevaria seu nível.

É normal um erro ali e outro aqui, mas não gostamos deles. Caso um erro fosse cometido, seria dada a devida notificação á população, que se sentiria mais respeitada. Os meios de comunicação ganhariam mais simpatia dos seus usuários que consumiriam mais os seus serviços.

A transparência dos jornais seria manifestada pela população. O brasileiro seria mais honesto. Aproveitando essa onda de influencia, talvez os políticos confessassem seus erros. O Brasil viveria uma vida sem farsas. A população reconheceria que assim como eles erram e merecem uma segunda chance, seus jornalistas também. Pois errar uma vez é humano, duas vezes também. Mas lembre-se que, erros causam feridas e retratar-se é apenas uma forma de cicatrizá-la. É melhor uma cicatriz que uma ferida aberta. Melhor ainda seria nunca ter sido ferido.