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Monitor catarinense

Paulo Tetzner

Monitores de Mídia - como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos, de Rogério Christofoletti (Univali Editora e Editora da UFSC; 2003; 148 páginas)

A falta de ética nos veículos de comunicação é um assunto que deveria ser discutido constantemente pela sociedade. O "mundo da comunicação" é poderoso. Pode construir um império, como pode destruir. 

Monitores de Mídia - como o jornalismo catarinense percebe seus deslizes éticos é um livro que traz dispositivos e mecanismos, no qual a sociedade possa utilizar para exercer com mais facilidade a "crítica" sobre a ética utilizada pela mídia, em especial a catarinense.

O jornalista e professor de Ética da Univali, Rogério Christofoletti, utilizou na produção do livro entrevistas com profissionais envolvidos com a mídia, professores universitários, dirigentes classistas, consultores de órgãos de avaliação ética e representantes de outras categorias profissionais. 

Responsabilidade, qualidade de informação, limites e interesse público tudo envolve ética. Quando um profissional, qualquer que seja a área de atuação, não utiliza esses preceitos poderá gerar problemas muitas vezes insolúveis.

Conduta do jornalista

O jornalista Jaume Guillamet diz "que a ética que se cobra dos comunicadores é sinal de identidade de um certo modo de informar a sociedade, seguindo os princípios de veracidade, independência e interesse público".

No mundo existem muitos códigos de ética jornalística, onde defendem um jornalismo verdadeiro, independente, com liberdade de expressão. O jornalista Luka Brajnovic contradiz dizendo "que a fonte de honradez profissional não pode ser as regras de um código", mas sim a "consciência profissional".

No jornalismo brasileiro, além de cada empresa possuir suas regras, podemos destacar os códigos difundidos pela Fenaj, ANJ, Abert e Aner. O grande problema é que os jornalistas no geral, e em especial os catarinenses, conhecem seu monitor de mídia, mas não fazem uma leitura e avaliação mais detalhada.

Christofoletti comenta que o desinteresse dos jornalistas pelos monitores de mídia é causado por "penas brandas, poucas condenações, ineficácia nas sentenças e falta de informação do trâmite de processos". No livro, a jornalista Mirela Maria Vieira diz que usa seu próprio código de ética: "Minha conduta não se guia totalmente pelo código dos jornalistas. Há coisas que ele permite fazer que dependendo das condições, acho que não deve ser feito. Por exemplo: falar da vida privada de pessoas públicas. Sou contrária. Para mim, isso não interessa."

Um dos monitores mais importantes na formação ética dos jornalistas é a universidade. Os cursos de Jornalismo precisam criar nos alunos, desde que ingressam na faculdade, pensamentos críticos em relação à ética e seus limites no campo de trabalho. Como dizia o jornalista Cláudio Abramo, "não existe uma ética específica do jornalista, sua ética é a mesma do cidadão. O jornalista não tem ética própria. Isso é um mito".

Para que todos cresçam no conhecimento tanto ético como cultural é necessário um envolvimento maior entre os profissionais e a sociedade. Conhecer deveres e direitos. Reconhecer que a função de um jornalista é investigar, buscar, levar o conhecimento à informação e a verdade para a sociedade. Pensar que são diferentes de outros profissionais, e não querer discutir a conduta ética, revela uma classe de trabalhadores monopolistas e antidemocráticos.