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O Canal errou

Nos dias 15 e 16 de dezembro de 2005, a jornalista da Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) Carina Pacolla entrou em contato com o curso de Comunicação Social do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) e com a redação do Canal da Imprensa para informar sobre um plágio cometido por uma ex-articulista do nosso site. A ex-aluna, hoje jornalista, copiou o artigo escrito por Carina “A face oculta das jornalistas”, que havia sido publicado no site da Universidade Estadual de Londrina, e publicou no Canal da Imprensa, apropriando-se desonestamente da autoria do mesmo.

Nossa reação, tão logo soubemos do ocorrido, foi um misto de espanto e frustração. Apesar de Carina Paccola ter sido solidária e ter afirmado que acreditava “sinceramente que a faculdade não tinha ciência do plágio”, o que aconteceu de fato, não escondemos nossa decepção com uma colega de profissão que passou pela redação do Canal mas que não incorporou os seus princípios éticos e jornalísticos. Sendo assim, retiramos do ar não somente o artigo plagiado, mas também todo e qualquer artigo da jornalista que fora publicado no site.

Diante do plágio, que se configura crime de direito autoral, conforme artigo 184 do Código Penal ("Copiar parte de texto ou texto na íntegra reflete violação de direito autoral"), a jornalista Carina Paccola solicitou uma retratação do site – o que pretendemos fazer nesse texto.

Dessa forma, o Canal admite que errou e torna público seu erro para que muitos outros futuros jornalistas que ainda passarão por esta redação, da qual escrevo essa mensagem, não precisem errar. Mas se ainda assim falharem, o mesmo Canal que falhou também lhes deixou o exemplo de como retratar-se do erro. Logo abaixo encontra-se a retratação formal enviada por e-mail à jornalista Carina Paccola:

“Prezada Carina,

Venho informar que nesta quinta-feira, 23, a retratação em forma de artigo que a senhorita, no exercício legal de seus direitos, solicitou da nossa revista eletrônica estará disponível na seção "Direto da redação", que é nosso editorial. Pedimos desculpas pela demora, mas acredito que valeu a pena. Fizemos desse erro terrível uma grande pesquisa em torno dos deslizes éticos no jornalismo: na verdade, o plágio da jornalista e ex-articulista _____________, transformou-se numa bela edição sobre a ética na profissão.

Gostaria que soubesse que a conduta antiética da ex-articulista deixou fortes impressões na mente de todos os alunos de jornalismo de nossa instituição e resultou numa grande ação pedagógica. O plágio da jornalista foi motivo de censura por parte de alunos e professores e gerou debates em sala de aula, nas reuniões de pauta do Canal e até em conversas informais nos corredores da faculdade. Além disso, após a denúncia do plágio, reformulamos o código de conduta do Canal, agravando a penalidade por plágio parcial ou total, bem como paráfrases desonestas e outras técnicas duvidosas. Também consolidamos o cargo didático-jornalístico do ombudsman na esperança de que essa falha não mais se repita.

Parafraseando o famoso episódio do Correio Braziliense, afirmo que “o Canal errou”. Errou por ter colocado a confiança no indivíduo acima do rigor e da vigilância na apuração de que tanto cobrou de outros veículos em suas mais de 50 edições.

Reiteramos nosso pedido de desculpas com a certeza de que, ao tornar pública nossa falha, estamos fazendo o nosso melhor para a formação dos futuros jornalistas que irão ter no Canal da Imprensa sua maior escola.

Atenciosamente,

Allan Novaes
Professor de Jornalismo do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) e editor-chefe do
Canal da Imprensa"