Nesta edição que aborda “deslizes éticos da imprensa”, nada mais nada menos que um escândalo faria parte do tema abordado. Ética, credibilidade e veracidade “deslizaram” verdade abaixo, juntando-se à mentira e, ao que chamamos de “jornalismo sem ética”.
Quando se lê, ouve, ou se fala no The New York Times, logo se pensa em poder e confiança da informação que é passada ao público. Resumindo, credibilidade! Porém nem todos os repórteres e funcionários fizeram jus ao crédito adquirido ao longo dos anos por esse tão afamado jornal norte-americano. O jornalista Jayson Blair preferiu publicar a informação em forma de mentiras. E de fato o fez no maior jornal do mundo.
Plagiar, fabricar notícias e inventar comentários de entrevistas, eram comuns para Blair no jornal. Seus colegas foram frequentemente enganados com textos que eram supostamente enviados de lugares no qual ele nunca estivera. A estratégia de Blair era, “selecionar material de outros jornais e agências de notícias, juntamente com detalhes de fotografias, para criar a impressão que esteve no lugar onde ocorrera o fato, quando na realidade estava a quilômetros de distância”.
Blair violara o aspecto central do jornalismo, a verdade. Pelo menos 36 de seus 73 artigos, que escrevera para o Times, seriam uma fraude. Foram descobertas a partir de uma matéria de capa publicada no The New York Times, sobre um soldado desaparecido. O editor de outro jornal teria lido a matéria, e afirmou ser idêntica a de seu jornal, que havia sido publicada dias antes. Os superiores de Blair, porém, haviam descoberto somente a última de suas fraudes.
Além de fracassar profissionalmente, em 2003, Blair levou junto o editor do New York Times, Howell Raines, que após cinco semanas da demissão de Blair, pediu as contas ao jornal.
Mentira até hoje
Como Blair conseguiu burlar o maior jornal do mundo durante quase quatro anos? E ainda o deixou sem credibilidade por muito tempo no próprio país?
Questões que vão dentro da cabeça maliciosa daqueles que não querem nada com a verdade, e a resposta se dá com a falta de compromisso com a sociedade daqueles que visam apenas pelos próprios interesses, e investem em fantasias.
Há quem diga que Blair é inocente, sofre apenas de um distúrbio de bipolaridade do humor (o que lhe trouxe fantasias); e há quem diga que somente a cadeia ensinaria grandes lições para o jornalista que “deslizou”, e feio, na ética que é preservada por tantos, dos quais merecem ser chamados de “verdadeiros” jornalistas. |