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Última moda em Paris

Giancarlo Sorvillo

A França é um dos principais países do mundo, famosa por sua riqueza tanto econômica quanto histórica. Ali ocorreram diversos acontecimentos que mudaram os rumos da humanidade, como por exemplo, a Revolução Francesa, que determinou em muito o modo de pensar da sociedade por meio de sua filosofia iluminista. Influenciou outros países a também quererem liberdade, igualdade e fraternidade, como os Estados Unidos e mesmo o Brasil, no período colonial.

A França também foi base para a atuação de um dos maiores personagens da historia, Napoleão Bonaparte, um dos generais e conquistadores mais capazes que o mundo conheceu. É o país da moda, da gastronomia e da luxuosidade, do romantismo e também do jornalismo. No entanto, assim como a França é um país de grande magnitude, seus erros também são de primeira grandeza, especialmente quando a palavra é imprensa.

Se a Revolução Francesa dividiu o país, e a própria história, o caso Dreyfus não fica atrás nem de longe. Esse escândalo político dividiu os franceses por muitos anos, no final do século 19. Centrava-se na condenação por traição de Alfred Dreyfus em 1894, um soldado judeu de artilharia do exército francês.

Tudo começou nesse mesmo ano, quando uma das responsaveis pela limpeza da embaixada alemã em Paris, descobriu uma carta na cesta de lixo de um dos coronéis alemães. Ela entregou os papéis aos serviços secretos da França, que logo concluíram que existia um traidor entre os oficiais franceses, que fazia espionagem para os alemães.

Mas por que Dreyfus? Apenas por uma palavra: judeu. Já nessa época o anti-semitismo era forte na Europa e a imprensa não ficou de fora, publicou em primeira página a traição do soldado judeu Dreyfus. O tribunal militar foi reunido e o julgaram culpado, exilando-o na Ilha do Diabo, na Guiana. A imprensa participou ativamente dessa condenação e fomentando ainda mais o anti-semitismo que já era forte na sociedade francesa.

Uma coisa é fato: a imprensa derruba qualquer poder, manipula quem ela quer e suscita os sentimentos que ela quer nas pessoas. O problema é quando ela age mais por impulso partidário ou pressuposições equivocadas do que por uma sólida apuração dos acontecimentos. No caso Dreyfus, praticamente não houve apuração da imprensa francesa e a sociedade ficou dividida entre os que eram contra Dreyfus e os que eram a favor. Somente dois anos depois se descobriu o verdadeiro culpado, mas a imprensa e a corte militar guardaram silencio.

Émile Zola, um novelista, publicou em uma exaltada carta em janeiro de 1898, intitulada “J'´acuse” (Eu acuso), uma valorosa denúncia das autoridades militares e civis, às quais acusou de haver mentido juntamente com a imprensa nacional. Em 1906, o soldado judeu foi totalmente reabilitado e o exército lhe readmitiu como comandante e lhe concedeu a Legião de Honra.

Todavia, como disse Bárbara Tuchman: “foi uma das grandes comoções da história”. O jornalismo poderia não ter feito parte dessa comoção, ao agir assim, ele está saindo completamente do foco de seu compromisso com a verdade e a ética. Tomara que a moda de Paris não pegue por aí.