O ano é 2008. Nunca se pode ver a Mancha Verde, a Independente e a torcida Gaviões da Fiel lado a lado, de “mãos dadas”, com um único objetivo: depredar a redação da revista Placar.
A imprensa toda cobre o evento inédito e busca no passado e nos líderes das torcidas organizadas do Palmeiras, São Paulo e Corinthians as razões para tal acontecimento. Com grandeza, contatos e agilidade, a Rede Globo é a primeira a dar a notícia do fato. Mas a razão ainda é desconhecida. Na redação uma reviravolta total a procura da informação. Porque tanta raiva? O que aconteceu. Sociólogos tentam explicar o acontecimento. Nada.
A liderança da revista declara que Placar não mais circulará. O povo, amante do esporte e principalmente do futebol, nem liga. Os fatos começam a ganhar sentido.
Finalmente, no Debate Bola, da Rede Record, Eduardo Savóia, com seu caderninho “implacável”, como dizia Milton Neves, explica toda a situação. O índice de audiência do Globo Esporte cai, e começa as explicações que, segundo Savóia, é do presidente da torcida corintiana.
Tudo começou no início de 2007. Em janeiro, o periódico argentino Olé compra os direitos de publicação da revista brasileira Placar. Começa o desastre da mais lida revista de esportes do Brasil, que terminaria em vandalismo.
No mesmo ano o São Paulo Futebol Clube vence o Mundial Interclubes, em Tóquio, pela quarta vez em cima do Real Madrid, tri-campeão mundial. O São Paulo era então, o único time no mundo a realizar tal feito. Após belíssima atuação em toda a copa Libertadores da América, no qual foi invicto, empatando apenas dois jogos na fase classificatória. Assim como em 2005, o Corinthians foi campeão brasileiro, sendo Tevez o artilheiro e Mascherano considerado o melhor jogador da competição. Na semana de edição da revista, a surpresa. A manchete de capa da revista dizia o seguinte: “Fenômenos Argentinos invadem o Brasil”, com a foto de Carlitos Tevez e Mascherano. Até os leitores corintianos questionaram a escolha. A torcida são-paulina fica indignada.
Em 2008 tudo fica muito claro. Com publicações um tanto quanto “argentinas” e estranhas aos brasileiros os leitores se revoltam. Ao final do ano, o Palmeiras é campeão do campeonato brasileiro com quatro rodadas de antecedência, invicto em todos os clássicos. Mas o pior não é o Palmeiras. Naquele ano, o Corinthians vence a Copa Libertadores da América, tão almejada pelos conhecidos “gambás”. Os torcedores esperam matérias de todos os jogadores, história. A revista Placar anuncia: “Tevez. O mais caro da história”, e nem sequer menciona a conquista do Palmeiras em nenhuma das edições. Quanto à vitória do Corinthians. Apenas um complemento à reportagem do atacante do time da Fiel.
A revolta foi total. Em um ato de protesto, ilegal, os presidentes das torcidas organizadas se comunicam e combinam em se unirem para o fim da publicação da revista, “tendenciosa”, segundo eles.
A revista já vinha perdendo assinaturas desde a não publicação da vitória do São Paulo sobre o Barcelona em Tóquio, por 3 a 2. “A perda foi insignificante. O fechamento da Revista era inevitável”, diziam os especialistas. Milton Neves resumiu toda a perda em duas palavras. “Orgulho Argentino”. Godoy complementou. “Burrice Argentina”. |