Eram tempos difíceis. Várias crises econômicas, dois golpes de estado, um governo com inclinações fascistas. Com certeza não era o momento mais apropriado para fundar um jornal, de acordo com o pensamento de muitos. Mas um homem pensou diferente.
O advogado e jornalista Roberto Noble nasceu em 1902 na cidade de La Plata. Mesmo oriundo de uma família conservadora, logo se envolveu em movimentos populares. Em 1918 e ainda adolescente participou da militância a favor da Reforma Universitária. Filiou-se à corrente rebelde que se tornaria o Partido Socialista Independente.
Em 1930 elegeu-se deputado pelo PSI, foi vice-presidente da câmara e secretário do congresso. Seu último cargo foi o de Ministro da Província de Buenos Aires.
Durante sua carreira política, Dr. Roberto desenvolveu vários projetos. Dentre eles a criação da lei 11.723, que protege a propriedade intelectual e artística de escritores, músicos e compositores. Seu interesse por artes também lhe rendeu o cargo de presidente do Teatro Nacional, além de ter sido um dos criadores da Comissão Nacional de Cultura.
Um novo projeto Mas o maior feito de sua vida veio em 1945. Após a Argentina ter sofrido mais um golpe militar, Noble se decepcionou com o rumo que a política de seu país tomara e resolveu se engajar em um novo projeto, agora editorial: a criação de um jornal. E no dia 29 de agosto, com apenas onze funcionários e sem sede própria foi impresso o primeiro exemplar do El Clarín. O jornal foi ganhando espaço graças ao seu formato tablóide, que proporcionava uma fácil leitura e destaque ao entretenimento e esportes.
Durante o regime do General Juan D. Perón, Noble assumiu uma postura independente. Não se aliou ao governo e nem seguiu o exemplo de outros jornais que se opuseram ferozmente ao ditador. Isso fez com que o número de propagandas no Clarín aumentasse, atraindo mais investidores e leitores.
Roberto Noble escreveu seis livros. Um dos mais famosos foi escrito na década de 60, Argentina Potência Mundial, um conjunto de editoriais que mostram quais seriam as regras que trariam o desenvolvimento social para a Argentina.
Faleceu no dia 29 de janeiro de 1969, deixando uma filha, Guadalupe Noble, e a esposa, Ernestina Noble, que herdou o diário. E Durante os 20 anos que dirigiu o jornal seu lema era “informar sin preconceptos” (informar sem preconceitos).
Graças a essa forma de pensamento, Noble pôde ver seu jornal se tornar o mais lido na capital argentina. Criou uma base sólida que permitiu ao El Clarín, fundado em 1945, ser hoje um dos maiores grupos de comunicação da América Latina e o segundo jornal mais lido em língua espanhola do mundo. |