Planeta Mídia - Tendências da Comunicação na Era Global, de Denis de Moraes (Letra Livre Editora; 1998; Campo Grande MS; 287 páginas).
Comprar roupa pela televisão, assistir dois programas ao mesmo tempo, programar o jogo de futebol para assistir mais tarde e fazer depósitos e transferências de bancos sem sair de casa? Esses são um dos recursos possíveis que os meios de comunicação do novo século estão oferecendo ao público – ou será consumidor? Não dá pra acreditar que aqueles amontoados de parafernálias, parte do patrimônio histórico dos avós já não servem pra nada a não ser contar o passado.
Percebemos a ultravelocidade do crescimento e da propagação que a mídia teve nos últimos anos uniformizando o modo como as pessoas pensam, transformando um produto regional de consumo global. São empresas e marcas que ultrapassam fronteiras e penetram em culturas diferentes, onde a publicidade realça a mercadoria como bens simbólicos em consumo universal.
Hoje grandes empresas já conseguiram espaço e confiança no mercado mundial. Essa confiança traduz no simples ato de famílias asiáticas saírem no fim de semana para fazerem uma refeição no McDonald's e crianças latino-americanas assistirem desenhos animados japoneses. Mas o mundo não ficou confuso, é um intercambio cultural. Até a literatura japonesa invadiu o espaço jovem despertando a paixão pelos Mangás.
Esse intercâmbio de culturas é feito pela publicidade que pré-estabelece hábitos e condutas na mente dos consumidores direcionados a produtos e marcas. O consumidor fica sem ação diante desses pseudoprodutos que na verdade são máquinas de comercializar alimentos, roupas e objetos, filmes, estilos e padrões de vida.
Com a chegada do mundo digital a velocidade de transmissão de dados e o tamanho dos arquivos não pararam de aumentar, com isso, por exemplo, é possível assistir programas de TV pela internet. A tendência é acelerar ainda mais o ritmo das companhias de mídias e informáticas buscando inovações para suprir a necessidade do mercado cada vez mais ágil, além decompactar e facilitar a vida do consumidor-cliente.
O planeta esta interligado por circuitos eletrônicos, a infotelecomunicação, fusão entre comunicação e informática, domina o mundo através dos eixos computador-TV a cabo-CD-video-cinema. Esses dominadores têm nas mãos uma concentração de poder por se responsabilizar pela maioria do que é divulgado na mídia.
Esta faltando ética na guerra pela sedução do consumidor-cliente, a mídia não está agindo de forma disciplinar; hoje os meios de comunicação usam principalmente a publicidade simulando a realidade para melhor administrá-la. Com o avanço das telecomunicações, o consumidor se vê em um caminho sem volta quando entram em contato com a tecnologia, esquecendo seu mundo particular e encarando com facilidade a nova realidade que proporciona um mundo cheio de atrações a facilidade de interagir com o resto do mundo globalizado.
Os donos da mídia
O mais visível nesse paradigma digital de entretenimento e telecomunicação é a quantidade de fluxo financeiro que conectam os mercados em tempo real. Olhando pelo ângulo Latino Americano, as empresas de comunicação que mais destacam estão no eixo Rio-São Paulo. Entre elas Globo, Abril, Bandeirantes, SBT, Folha que são propriedades familiares sendo administradas pela terceira ou quarta geração.
Fora do perfil brasileiro e ainda na América Latina há grandes grupos de comunicação que se destacam como a Televisa sendo o maior grupo de língua espanhola. A empresa que reúne quatro cadeias de televisão, a maior operadora de TV a cabo do México, 17 estações de rádio, 14 revistas, entre outros veículos, produz 100 mil horas de programação original e alcança 98% dos lares mexicanos. Se comparado com o Brasil, a Televisa é o império global no México.
E os números não param por aí, ela absorve quase 70% da audiência do México. O grande curinga da emissora são as novelas exportadas para outros países da América Latina inclusive o Brasil. Mas a emissora também importa programação das redes norte-americanas Fox e NBC sendo na maioria desenhos animados, programas infantis, seriados e filmes.
A TV Azteca, também dentro do grupo de comunicação latino americano, subiu em cindo anos para a segunda colocação no ranking das emissoras graças às estratégias de programação e de captação publicitária. A rede investe fundo na internacionalização da companhia comprando canais em países latino-americanos.
Outra empresa que atua no ramo de comunicação é a Venevisión. Ocupa a segunda posição de rede de televisão hispano-americana e líder em produção e exportação de programas em espanhol para a América do Sul. A Venevisión faz parte do grupo Cisneros, o maior complexo privado da Venezuela com mais de 70 empresas em 39 países. A Cisneros se fixou no Chile e Argentina para iniciar sua trajetória pela América do Sul compondo uma rede continental.
Na América Latina estão alguns dos grandes impérios mundiais de comunicação que dominam uma raça que muitos chamam de seres humanos com livre arbítrio. Não se sabe como o homem, tratado carinhosamente de consumidor-cliente, vive numa realidade carregada de apelações e manipulação em que a atualidade é comparada com uma Babel.
É certo que a mídia quando disponibiliza ferramentas com o objetivo de aproximar e estreitar a comunicação entre as diferentes culturas, ao mesmo tempo afasta-os. É redundante, mas o livro Planeta Mídia deixou bem claro essa idéia quando fala do caos que fica na mente dos povos de países subdesenvolvidos que ainda não participaram da inclusão digital. É doloroso pra eles verem ricos se esbanjando de poder, fama, luxo, e quando olham ao redor encaram a fome e a pobreza como única alternativa. Daí então cresce a revolta quando percebem que o mundo que vive é de pura fantasia que acaba quando a novela termina. O objetivo é chegar a todos os cantos, o lema, esqueceram de fazer. |