Argentina. Berço do tango, que no século XIX atraia espectadores voyeurs. País que abriga traços europeus tanto no costume quanto no rosto do povo. É lá também que a política tem passado por um período um tanto quanto turbulento, desde o golpe do Estado em 2002. Pelo que mostra o Grupo Clarín, esse “terror” na política tem contagiado as páginas dos jornais e os noticiários televisivos, ao menos é o que pode ser visto na emissora em questão.
O Grupo Clarín demonstra ter boas intenções para ajudar na educação da população. Uma das iniciativas do grupo é a tentativa de arrecadar pessoas interessadas em colaborarem na educação de crianças carentes intitulada “La Fundación Noble del Grupo Clarín, la asociación civil Padrinos de Alumnos y Escuelas Rurales (APAER) y la Fundación Cimientos, con el apoyo de la Red Solidaria, lanzaron la edición 2006 de la campaña Digamos Presente”.
Mas se estão tão preocupados com a educação, como eles expõe sendo uma das prioridades, por que tantas informações são expostas de forma tão “aterrorizante”? A começar pelo contraste imagem-texto, que mais do que as revistas Veja e IstoÉ, nas quais mais se vê do que lê, assim é também com os jornais e revistas do Grupo Clarín. Além disso, são muito alarmantes de mortes em suas notícias tanto em tevê quanto em jornal impresso.
Um exemplo são as capas de jornais diários e os links da emissora televisiva que estão dispostos no site do Grupo Clarín. Todas as reportagens são noticiários de mortes como o ataque de 11 de setembro entre outras guerras e conflitos vividos dentro e fora do país.
É certo que eles queiram informar sua população sobre os principais acontecimentos, mas será que eles só vêem as tragédias como sendo o principal? E quanto aos outros princípios como ampliar a cultura por meio do entretenimento, o serviço ao público entre outras filosofias que eles se comprometem a seguir? A visão do Clarín parece ser um pouco deturpada pela forte tendência de intencionalmente chocar o público com informações “bombásticas”.
De fato, as pessoas já não estão mais dispostas a pensar e ler como era na época da invenção da prensa. Pela necessidade de rapidez na informação, bem como a facilidade e comodidade é que ninguém tem se preocupado em saber profundamente sobre qualquer tipo de assunto. Assim os meios de comunicação que não atendem o desejo do público vão perdendo sua audiência.
Ao mesmo tempo uma emissora que não se preocupa em dar informações mais detalhadas, estimular a leitura e ter mais projetos para desenvolvimento cultural do seu próprio país precisa rever seus princípios, valores e prioridades. |