Talvez nenhum clássico de futebol seja tão disputado, comentado, assistido do que Brasil e Argentina. Provavelmente, país algum seja visto com tanta rivalidade como os nossos vizinhos portenhos. Não somente no futebol, mas mesmo na política, como aconteceu algum tempo atrás quando o governo argentino proibiu a entrada de eletrodomésticos brasileiros no país, a fim de movimentar a recente economia abalada.
Mas se o capital econômico foi desestabilizado, a estrutura jornalística permaneceu firme e hoje se situa entre as principais do continente americano. Após a segunda guerra mundial, o jornalista e advogado Roberto Noble com o objetivo de prover ao povo uma fonte de informação mais confiável, funda no dia 28 de agosto de 1945, o Clarín. Alguns anos mais tarde, em 1965, ele se tornaria o diário de maior circulação em Buenos Aires, graças ao seu estilo ágil e direto, seu formato em tablóide e visual atrativo. Dois anos depois seria a primeira a lançar uma revista semanal na Argentina.
Depois disso, a empresa não parou de crescer, por exemplo, em 1992 o Clarín entra no mercado da televisão aberta e a cabo, com cobertura em vários pontos do país, além disso, comprou uma das maiores rádios metropolitanas da capital. No ano de 1996, a empresa entra na era da internet sendo atualmente o site mais visitado pelos argentinos, no mesmo ano, é lançado Olé¸ o primeiro diário esportivo do país.
O ano de 1998 foi o ano das crianças, no qual o Clarín publicou a revista Gênios que se tornou a revista infantil mais lida pelos “chicos” argentinos. Porém, mais do que uma empresa de comunicação, o Clarín faz parte da Fundação Noble, criada em 1966, com o propósito, segundo Roberto Noble, de aprofundar a função social dos meios de comunicação por meio da promoção de valores como solidariedade, educação e cultura. E de fato isso tem acontecido, por intermédio de muitos projetos educacionais, como o fornecimento de materiais escolares para escolas públicas, (incluindo ajuda financeira), visitas de alunos à redação do Clarín e suas estruturas, aulas sobre o relacionamento da pessoa e os meios de comunicação, oficinas para os estudantes buscarem uma aproximação crítica dos valores democráticos, especialmente a liberdade de expressão.
Outro plano é o Livro Aberto, um programa de incentivo a leitura que visa a discussão entre pais e filhos sobre a importância de ler e manter-se informado. Recentemente, o Clarín e a Secretaria de Educação do governo, estão produzindo o Diário da História, um material onde os estudantes, professores e comunidade possam estar mais familiarizados com a historia da Argentina.
A Argentina sempre foi um país que se preocupou com a educação. De 1861 até 1880, os presidentes do país investiram vigorosamente na educação primária. Tanto que em pouco tempo o país se tornou a população mais educada e culta, com a menor taxa de analfabetismo da América Latina. Sem dúvida o jornalismo influenciou para que isso fosse real, fazendo com que a leitura e a informação fizessem parte da vida do povo.
Um outro programa importante é o projeto Novos Jornalistas que treina e aperfeiçoa jovens jornalistas que estão entrando no mercado de trabalho. O projeto dá a oportunidade dos focas fazerem mestrado com a colaboração de universidades argentinas, dos Estados Unidos e da Itália.
Deixando a rivalidade de lado, o jornalismo brasileiro poderia fazer suas as palavras de Ernestina Herrera de Noble: “Em um mundo cada vez mais globalizado, nosso compromisso como grupos de comunicação se resume numa premissa, servir as pessoas todos os dias. Assumindo a função de informar, opinar e entreter com identidade e com os valores que nos caracterizam”. |