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Senhores da mídia hispano-americana

Márcio Tonetti

 

O monopólio da mídia pelos grandes grupos de comunicação, certamente não é mais uma profecia na América hispânica. Da mesma forma que, no Brasil, a rede Globo tem poder de movimentar a opinião pública, grupos como Televisa, Clarín e TV Azteca, influenciam a vida socioeconomica, política e cultural de espectadores hispano-americanos.  

O jornalista Carlos Alberto Di Franco é um dos observadores desse fenômeno. Diretor do Master em Jornalismo e representante da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra no Brasil, ele acredita que esse acontecimento está tomando proporções globais.  

Para o também colunista dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, a mídia do século XXI vai continuar na mão não só de empresas familiares ou de políticos, mas, sobretudo sob o domínio das entidades religiosas.    

Canal da Imprensa - Quais grupos de comunicação latino-americano estão mais presentes no Brasil?  

Carlos Alberto Di Franco - Desconheço presença forte de grupos latino-americanos no Brasil. De fato, mesmo após a aprovação da abertura de capital para investidores estrangeiros, ainda é pouco expressiva a presença deles no Brasil.  

CI - No Brasil é bem nítida a influência e o controle da mídia por empresas familiares, políticos e grupos religiosos. Em outros países latinos isso pode ser observado?  

C.A.F. - O controle da mídia por grupos familiares é um fenômeno brasileiro e mundial. Chama a atenção, sobretudo no Norte e Nordeste, o controle exercido por políticos (Sarney, Antonio Carlos Magalhães, etc.) Quanto à presença, sobretudo evangélicas e católicas, é um fato não só brasileiro, mas latino-americano também.  

CI - No livro O Monopólio da Mídia, o jornalista Ben Bagdikian afirma que os veículos de comunicação norte-americanos estão nas mãos de poucas corporações. Esse oligopólio também é uma realidade na América Latina?  

C.A.F. - A crítica de Bagdikian é, a meu ver, ingênua. A mídia, de fato, ou está nas mãos de empresas privadas, ou nas mãos do Estado. É assim. Prefiro, de longe, a presença da iniciativa privada, desde que essa presença seja pluralista.  

CI - Na década de 1960 e 1970 muitos países latinos estavam em pela ditadura militar. Como os grupos de comunicação se comportaram? Foram coniventes, ou fizeram oposição aos regimes ditatoriais?  

C.A.F. - A imprensa, a meu ver, combateu firmemente a ditadura. No caso brasileiro, foi censurada abertamente. A conquista da liberdade dependeu, e muito, da mídia.  

CI - Os veículos de comunicação latinos são influenciados pelo objetivismo americano ou algumas empresas de comunicação têm seguido uma linha mais crítica, à moda da imprensa européia?  

C.A.F. - O perfil da imprensa brasileira é muito influenciado pela mídia norte-americana. Algo parecido ocorre na imprensa de prestígio da Argentina ( El Clarin ), Chile ( La Nación ), etc.  

CI - A aquisição de mais emissoras de TV e outros veículos de comunicação por denominações religiosas é algo que o cidadão do século XXI deve esperar? Ou já foi a época desse tipo de empreitada?  

C.A.F.
- Acho que o fenômeno continuará, sobretudo no caso de que se confirme a hipótese de muitos estudiosos: o século XXI será o século da retomada religiosa.