Após duas semanas, estamos aqui novamente. Desta vez, podemos pegar mais “leve”. Creio que muitos dos erros cometidos na primeira edição sobre os grupos de comunicação brasileiros, não se repetiram nesta sobre os deslizes éticos da imprensa. Aliás, procuramos fazer a lição de casa. Se estamos gastando uma edição só para falar sobre deslizes, temos que escorregar o mínimo possível.
Vou apontar mais pontos a melhorar do que falhas propriamente ditas. Começo com uma pergunta: a seção Reportagem vai fazer jus ao nome ou não? Tivemos problemas com isso no passado, todavia, entendo que se nos comprometemos com o internauta em publicar uma reportagem, não podemos entregar-lhes um artigo. Penso que é hora de consolidar essa seção ou tirá-la.
Já no gênero artigo, a matéria “Precisamos de jornais” apresentou uma boa argumentação, porém, acredito que deixou passar um ponto relevante: o processo de marketização da notícia. Trocando em miúdos, explicar como o compromisso social foi assimilado pelo marketing nos grandes veículos de comunicação.
Para a autora da matéria “Olha a responsabilidade!” também fica uma recomendação. Seria interessante que você abordasse outros programas televisivos que também se caracterizam por expor pessoas ao ridículo, como o Pânico na TV, da RedeTV. Tentar explicar a origem e a razão do sucesso dessas produções agregaria bastante também.
Queria dar um “toque” também para o autor da resenha Monitor catarinense. O articulista se ateve mais ao que os entrevistados do autor disseram, do que propriamente ao livro em si. Após descrever a estrutura e as principais características da obra, é preciso discorrer sobre os pontos fortes e fracos do livro. Deve-se procurar responder qual é a grande contribuição do material. Seguindo essa linha, creio que os internautas “pescarão” nas entrelinhas se essa leitura vale a pena ou não de ser lida. Deste modo, a resenha estará cumprindo a sua função.
Apesar de toda a equipe ter mostrado crescimento nesta última edição, gostaria de coroar com louros alguns em específico. Ao repórter que entrevistou o professor Luis Martins, da UnB. Entendo que a reação positiva do público em relação a essa entrevista se deve à soma de perguntas oportunas com respostas de alguém que tem o que dizer.
Parabenizo também os artigos “Guerra santa”, por ter pontuado de maneira clara e concisa os limites éticos do jornalismo investigativo, “A imprensa dos horrores” pelo estilo narrativo-descritivo da matéria, e “O preço do sucesso” pela coesão, argumentação e criatividade no desfecho.
Tal qual a minha última coluna, arrisco-me a deixar uma dica aos colegas de redação. É preciso caprichar no acabamento. Refiro-me à criatividade e coerência dos títulos em relação à espinha dorsal das matérias. Sinto que em alguns artigos o título e o desfecho parecem ter ficado para uma “inspiração pré-deadline”, ou seja, de última hora. A meu ver, as boas matérias são aquelas que se mostram tão coesas que remetem constantemente, nas entrelinhas, ao título. Além disso, surpreendem o leitor no final, reforçando o conceito central do artigo, comunicado na retranca.
Alguns podem ser tentados a pensar que acabamento é detalhe. Enganam-se. Assim como eles fazem diferença na decisão de compra de um tênis, uma roupa, um carro ou uma casa, o fazem na leitura de um texto. Portanto, caprichem no acabamento!
A gente se vê! |