O símbolo de uma das maiores empresas de comunicação argentina é um conjunto de três círculos, verde, azul e vermelho. Parece com um semáforo. Pois assim como as cores do semáforo nos comunicam uma informação, cada cor dos círculos da Telefe pode representar o período histórico e características do grupo de comunicação argentino.
O azul representa o seu início, a partida. Quando tudo começou em 1989, pelas empresas News Corporation (20%) e o Grupo Atlântida (80%), a Argentina ainda estava passando pelo processo de redemocratização. Nesse período, quando Carlos Menem foi eleito pelo partido peronista, havia um grande desequilíbrio na balança comercial e um alto índice de desemprego.
As privatizações então começaram. A espanhola Telefônica e a ítalo-francesa Telecom logo se apoderaram das maiores emissoras de comunicação da Argentina que ainda continua em suas mãos. A Telefe ficou com a Telefônica , empresa que tem ações em rádio, TV e telefonia do país.
Após o sinal azul, nas mãos da Telefônica, a Telefe entra em um período de ascensão, talvez rumo ao céu, representada pela cor verde do segundo círculo. Uma guinada e tanto. Com os altos investimentos da multinacional espanhola, a Telefe chegou a ser líder em suas programações. O investimento pode ser claramente visto em sua infra-estrutura atual. Possui 18 estúdios, sete na capital Buenos Aires e 11 na cidade de Martinez, totalizando uma área de 11.200 metros quadrados . Um pouco mais que dois campos oficiais de futebol.
Liderado pelas suas novelas, filmes e seriados importados dos grandes produtores norte-americanos, o sinal passou rapidamente de azul a verde: às alturas. Com equipamentos de última geração, as suas produções eram de boa qualidade, atingindo reconhecimento internacional. Especialmente suas telenovelas, seguindo o padrão brasileiro, foram exportadas a outros países.
Em suas áreas de trabalho especializadas, possui carpintaria, estofaria, ferraria, e salas com gráficas e diagramação que produzem material para as programações e atender a necessidades externas. Como a novela Chiquititas , comprada pelo SBT, que fez sucesso durante cinco anos.
A tecnologia de gravação também é destaque. Suas instalações possuem vinte salas de edição e gráfica FX. Na área jornalística conta com unidades móveis para captar informações in loco. Possui quatro mini unidades móveis, um caminhão SNG e duas unidades móveis de produção que podem enviar informações ao vivo diretamente aos estúdios da emissora Telefe. Toda essa tecnologia tem favorecido ao gosto da população argentina que tem respondido com índices de audiência elevados.
Mas todo esse sucesso tem um preço. E o da Telefe tem sido bem caro. Entrou o ano de 2004 no vermelho. A cor do terceiro círculo de seu símbolo. Com filmes não pagos a Disney e contratos não resolvidos com outras empresas norte-americanas como Warner e Fox, os seus débitos chegaram a cinqüenta milhões de dólares. A empresa teve prejuízos por cinco anos seguidos, apesar da promessa de melhorias feita por seu presidente, Jorge Perez Bello.
Com contas a pagar, a Telefe terá que mostrar porque é líder na Argentina, país que já passou por um período de grandes dívidas também. Qual será a próxima fase a ser enfrentada pela Telefe nesses próximos anos? Espera-se que a cor que a represente seja um símbolo de prosperidade e traga boas novas a uma das maiores empresas de comunicação da América do Sul. |