É consensual a idéia de que um canal de TV que cobre quase todo o território nacional, seja ele qual for, possui forte influência social, econômica e política em um país. Não é diferente com o grupo Telefe. A poderosa TV argentina, possui oito canais líderes em audiência no interior do país e ainda o Canal 11 de Buenos Aires. O grupo também conta com o Telefe Internacional, que chega a mais de três milhões de pessoas em todo o mundo. Seus negócios ainda incluem produção cinematográfica Telefe Cine, a Telefe Música, Telefe Teatros, além das rádios AM e FM Continental.
Quanto maior o número de pessoas que ouvem, maior o poder. E como diz o ditado do filme Homem Aranha: “Um grande poder é acompanhado de uma grande responsabilidade”.
O Canal 11 iniciou suas transmissões em 1961 e sua administração estava vinculada a igreja Católica. Em 1965, a emissora elaborou um caráter mais popular e aumentou o índice de audiência. Depois disso o canal permaneceu nas mãos do governo. Em 1989 a sociedade Televisión Federal S.A., conseguiu o canal que foi nomeado Telefe, em 1990. Hoje, a Telefe pertence à empresa Telefônica.
Pouca cultura, grande audiência
Com tanta audiência e tanto prestígio, o Canal 11, possui uma programação estilo Rede Globo: pobre em conteúdo cultural, rica em audiência. O nivelamento da cultura do país é feito por baixo, por meio de novelas e programações inúteis. Não é surpreendente ver, já em 2001, que os “argentinos vêem auto-retrato na tela” (Folha de S.Paulo 11/02/02), com a inauguração do formado Big Brother, desenvolvido originalmente na Holanda. A transformação consiste em que o telespectador se assemelhe ao programa de TV e não o contrário.
A influência maior está no nivelamento da fala e na moda, assim como a Globo. A programação está carregada de novelas e “telecomedia”, que formam os picos de audiência.
O mais importante telejornal é o Telefe Notícias, transmitido diariamente com edições ao meio dia, às 19 horas e à meia noite. Os períodos de notícia são, também, de grande audiência. Muitas vezes, para evitar perda de audiência para os Canais 9 e 13, a Telefe prolonga o noticiário, repetindo notícias e ignorando a função social jornalística.
A Telefe também promove e apóia eventos e programações de cunho social. Por exemplo, a FM Hit e a Telefe - ambos da empresa Telefônica - realizaram um Recital Solidário em agosto de 2004, no estádio do Boca Juniors. O valor incluía cinco pesos mais um quilo de alimento não perecível. Toda a arrecadação feita foi destinada a “satisfação das necessidades mais urgentes das crianças em diferentes lugares do país”. Houve edições anteriores do evento - estilo Criança Esperança - e a média foi de 70 mil pessoas “apoiando a iniciativa”.
O grupo Telefe, assim como qualquer veículo de pequeno porte, médio e grande influencia a sociedade em todas as suas ramificações. Quem é ouvido tem influência. O grande problema é que para conquistar a atenção de várias pessoas por um longo período de tempo, é preciso falar o que se deseja ouvir e não o necessário. Resultado: nivelamento cultural baixo e massificado. |