home |
 

Aprecie com moderação

Paulo Mondego

A TV ocupa um espaço significativo na vida do brasileiro. Especialmente porque ela se tornou o meio de comunicação mais popular e prático nas últimas décadas. Independente do nível social, a televisão está presente desde mansões de bairros luxuosos até barracos de favela. Estima-se que essa caixa preta que você tem em sua casa exista em mais de 90% dos lares brasileiros. E o mais interessante disso é que em grande parte desses lares ela é a principal fonte de informação e entretenimento.

Talvez a pior conseqüência dessa supervalorização da TV como fonte de informação seja a exposição excessiva do telespectador a conteúdos de baixo nível e cultura inútil. O que em muitos casos se vê hoje na TV é o subproduto de mentes deturpadas interessadas em transmitir valores desprovidos de conceitos morais e éticos. Para constatar isso, bastar ligar a televisão aos domingos e tentar achar algum programa do qual realmente pode-se tirar algo que acrescente à sua cultura - salvo raríssimas exceções.

O mais poderoso meio de comunicação está sob a tutela de mentes manipuladoras. Poderoso porque é o meio com o maior potencial de convencer e camuflar uma realidade que a sociedade desconhece. Entretanto esse não é o exatamente problema, e sim o que essas mentes transmitem ao telespectador. Aquele que conhece o poder da TV domina nações, elege presidentes, subjuga a mente daqueles que se expõem às suas ideologias, subestimando sua capacidade de análise e raciocínio.

O lingüista norte-americano Avram Noam Chomsky, afirma que a TV tem pelo menos 10 estratégias de manipulação. Uma delas é utilizar-se do aspecto emocional muito mais do que o reflexivo. Para isso se utiliza de diversos meios para impressionar o público. Outra estratégia é a de manter o telespectador na ignorância e na mediocridade, pois assim fica mais fácil transmitir seu conteúdo sem encontrar barreiras pela frente.

Escravos das imagens

Diante dessas definições, pode-se pensar que o objetivo deste artigo é demonizar a TV sem levar em consideração a diferença do meio de quem o manipula. É lógico que a TV por si só não passa de um equipamento eletrônico, fabricado com capacidade de transmitir imagem e som através de um tubo catódico. A questão é o conteúdo transmitido e a quantidade de pessoas expostas unicamente a ele. Pois aquele que tem a TV como única fonte de informação está sujeito a se tornar escravo da imagem e inimigo das letras.

Sem dúvidas a TV é um excelente meio de adquirir informação, porém não é o único. Os jornais, os livros, as revistas compõem uma fonte de informação significativa em qualquer cultura. Ao ler o jornal, a revista ou livro, o indivíduo adquire um senso crítico muito mais aguçado do que aquele que apenas busca informação na televisão.

Hoje vivemos numa época na qual a “TV” tem a autoridade de ditar o que você veste, come, compra, ouve e vê. E o pior disso é que muitos desconhecem essa “autoridade” e se submetem inconscientemente aos comandos da encantadora caixa preta.

A revista Veja de 15/09/2004 divulgou uma pesquisa que dizia: “TV estimula os jovens a terem relações sexuais mais cedo”. Outra matéria publicada no site www.midiativa.tv revela que a TV influencia no aumento da obesidade infantil. Será a propósito ou mera coincidência? Talvez a resposta mais adequada fosse a conseqüência de uma atitude irresponsável do que se veicula na TV.

Pode-se ir muito além com pesquisas e estudos sobre os malefícios que a TV traz para o telespectador. No entanto o objetivo aqui não é esse. A TV é e sempre será um bom meio de comunicação do ponto de vista técnico, mas pode ser o pior se for o único. Portanto, aprecie com moderação.