A cultura brasileira é um dos expoentes que destacam o País além mar. No entanto, os próprios nativos não sabem valorizar o que possuem. No Brasil, o ditado popular “só se dar valor quando se perde” é verdadeiro quando relacionado ás TVs educativas. Ou ainda, fazendo uma adaptação do ditado “santo de casa não faz milagre”, esses canais não têm atingido os seus objetivos apesar da boa programação.
Seu início foi pequeno. Em 1961, a Fundação João Baptista do Amaral ( TV Rio ), instituída em 18 de abril, foi reconhecida pelo Ministério da Educação e Cultura. Com programas de alfabetização de adultos, perseverou até meados de 1965. Nesse mesmo período, quando os educadores perceberam o potencial da comunicação televisiva, o Dr. Gilson Amado inseriu um programa educativo na TV Continental . No horário das 22h30min, era transmitido um programa mesa redonda. Com debates de temas universitários, as mesas abriam oportunidades de ensino aos brasileiros que não tinham o privilégio de cursar o ensino superior.
Depois vieram as TVs educativas estaduais com apoio do Governo Federal. As de maiores expoentes hoje são as do Rio de Janeiro e de São Paulo com a TV Educativa e TV Cultura respectivamente. A transmissão de informação cultural, formar e fortalecer a cidadania através de uma programação de alta qualidade cultural ao público, continua sendo o objetivo do governo para essas emissoras culturais.
As TVs Educativas possuem uma programação mais diversificada que as grandes emissoras. De documentários sobre a fauna e flora nacional á aulas de literatura islâmica, passando por aulas para deficientes visuais, elas têm tentado ensinar um pouco do grande universo do conhecimento aos brasileiros que os assistem.
As TVs Comunitárias também têm cumprindo seu papel. TVs comunitárias são repetidoras não simultâneas de TVs educativas. Em nível local, transmitem a programação de alguma TV educativa por convênio, sendo assim também TVs educativas locais apesar do termo ‘comunitária'. Como exemplo a TV Pinel, do Rio de Janeiro, que ensina a população a melhor se relacionar com doentes mentais, tendo participação dos próprios internos do Instituto Philippe Pinel na produção dos programas. Também a TV Mocoronga em Santarém, interior do estado do Pará, possui uma grande atuação educativa local.
Trabalhando com as comunidades ribeirinhas dos rios Tapajós, Arapluns e Amazonas, por meio de sua programação a TV Mocoronga, os orienta no cuidado com a saúde, meio ambiente, educação, artes e produção rural. Os temas são “escolhidos pela população local e em geral dizem respeito a assuntos de interesse da região”.
As TVs foram objeto de estudo da professora de pós-graduação da Umesp, Cicilia M. Krohling Peruzzo. O estudo concluiu que essas TVs comunitárias são meios educadores e servem para resgatar a identidade cultural da região, melhorando o estilo de vida da comunidade atendida.
Missão
E elas têm cumprindo esse papel. Os programas de emissoras educativas sejam elas comunitárias ou não, além de trazerem o básico de um canal da TV aberta como jornal diário, filmes, programas infantis e esportivos, trazem conteúdos bem culturais e educativos. Além de aulas de português, documentários em diversas áreas como biologia, sociologia, história, ainda servem de oficinas locais. O uso da palha do tucumã para fazer chapéu, o uso de ervas medicinais da amazônia, foi alguns dos assuntos dessas TVs comunitárias que favorecem até os lares mais pobres.
Para os que consideram os canais educativos de baixa qualidade, devem considerá-los um pouco mais na perspectiva de sua influência na comunidade local onde é transmitida. Programação de boa qualidade até que possuem. Mas é verdade que apesar disso, a sua audiência continua baixa pois, a televisão nacional já estava sendo dominada pela cultura do comércio global. E essa acabou influenciando os brasileiros de tal forma, que é difícil á aceitação dos canais culturais e educativos.
Além disso, o alcance das redes educativas é mínimo. Das pelo menos 51 TVs Universitárias, das várias TVs Comunitárias e TVs Educativas de cada estado, apenas as de São Paulo e Rio de Janeiro exercem influência a nível nacional. Sem contar que muitos desses canais são transmitidos para outros estados apenas por antenas parabólicas. Por isso, o alcance das programações educativas está bem aquém do esperado para um País onde, cerca de 10% dos que estão acima de quinze anos, são analfabetos. Apesar de 90% de lares brasileiros receberem sinal de televisão, apenas uma pequena parcela da audiência é das emissoras educativas.
Enquanto as grandes emissoras ensinam cultura do espetáculo e da fantasia com suas novelas, filmes americanos dentre outros, as pequenas TVs de assuntos mais valiosos culturalmente são colocadas no fim da lista da preferência popular. Isso ocorre por algumas razões. O investimento dos governos estaduais e federais para esses propósitos não tem conseguido alcançar um padrão de produção elevado nesses canais para concorrer com as grandes emissoras. O dinheiro realmente é escasso.
Uma das razões é que as TVs Educativas não podem receber publicidades privadas. As propagandas devem ser do governo, em sua maioria relacionada ao Ministério da Cultura. Mas as emissoras têm desrespeitado essa lei e assim conseguido arrecadar fundos para se manterem vivas na mentes de alguns brasileiros.
Pouco investimento em propaganda do canal produz poucos telespectadores consumidores que atraem o mínimo de anunciantes, criando um ciclo que desfavorece o público brasileiro. Os canais culturais estão disponíveis, mas o brasileiro gosta mesmo é dos educadores globais. Por isso que estamos como estamos porque “santo de casa não faz milagre”. |