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“Uma imagem a zelar”

Deyvison Veloso

Videologias, de Eugênio Bucci e Maria Rita Kehl (Editora Boitempo; 2004; São Paulo SP; 256 páginas).

A imagem tem um papel fundamental na sociedade atual, por isso não se pode ignorar ou desvalorizar a televisão. Hoje com mais de 50 anos de existência a TV tem muita história para contar.

Videologias é o segundo lançamento da coleção Estado de Sítio da editora Biotempo, e aborda a questão da “imagem numa sociedade em que os seres somente são ou vêm à existência se forem dados à visibilidade imediata, ao ver”, como descreve a professora de filosofia da USP, Marilena Chauí, no prefácio do livro. O título da obra parte de um neologismo a partir das palavras “vídeo” e “ideologia”, que também se inspira na obra de Roland Barthes, Mitologias.

O livro está dividido em cinco partes. A primeira, “Às voltas com o método”, aborda a questão da crítica a televisão, “a virtude da TV de proporcionar novos campos de visão”, o espetáculo do meio televisivo, além da questão do fetiche. Para isso os autores citam exemplos como o de Ronaldo na Copa de 1998, a gravidez de Xuxa e o caso de Vera Fischer no final dos anos 1990.

A segunda parte, “A violência constitutiva”, fala sobre a violência divulgada na TV. Mostra como o contexto do imaginário do telespectador e o impacto dessas imagens na mente de quem assiste, afetam seu comportamento. Como exemplos os autores citam os casos do secretário da Fazenda da Pensilvânia, nos Estados Unidos, Budd Dwyer, e do pedreiro Diego José.

O Terceiro Capitulo, “Realidade Ficcional”, trata sobre a ética dos meios de comunicação em massa que não pode partir do mesmo ponto de discussão da ética na imprensa. Além da questão dos reality shows que tornam o privado em público.

No penúltimo capítulo, “Exibicionismos”, os autores fazem um gancho com o capitulo anterior, no qual é feito uma análise dos reality shows em todas as suas variações, abordando a valorização do corpo em nossa sociedade. No final, eles mostram que hoje responsabilidade social se tornou marketing, dessa forma a prática da solidariedade tem interesses econômicos.

O quinto e último capítulo, “O espaço público no Brasil”, é totalmente voltado para a crítica da Rede Globo. Aborda questões referentes ao domínio da maior empresa de comunicação do Brasil, as implicações desse domínio, a questão de ocultar acontecimentos e o dueto fato e ficção presentes na televisão.

O “plim-plim” ficou oculto

“É sabido por todos que a Rede Globo boicotou em seus telejornais nacionais as Diretas Já, ocorridas entre 1983 e 1984”, realmente foi o que ocorreu. A Rede Globo nesse período, que coincidiu com o aniversário da cidade São Paulo, deu a entender que era apenas mais uma das solenidades que comemoravam o 430º aniversário da capital paulistana.

O conteúdo veiculado na televisão influencia a vida de muitas pessoas. São transmitidas “ideologias” e “mitos” que passam a fazer parte da vida de quem se expõe a elas. Ciente disso, muitas emissoras se aproveitam para tentar convencer as pessoas que suas idéias, e são a “verdadeira verdade”. Querem mostrar que fazem tudo em prol do telespectador e da sociedade.

O livro Videologias abordou bem essa questão da imagem, além de sua influência em relação à violência, fetichismo e culto ao corpo voltados para o contexto nacional. Os autores, numa parte especial, mostraram os direitos do telespectador, que ajudam os leitores a terem uma visão crítica do que realmente é divulgado na televisão.