Chega a tarde. Os portões se abrem e todos aguardam pela chegada da atração principal. As luzes estão acesas e apontam para o centro do picadeiro de onde surge o palhaço. Mas em respeito aos profissionais do circo vamos chamá-lo de "mestre da baixaria". A justificativa por tal titulação: a falta de bom senso e ética diante das câmeras. O contemplado é um João, que um dia se aventurou pelo mundo da televisão e tinha a pretensão de ser chamado humorista. Mas acabou pegando fama de disseminador de contentas.
João Kleber trabalhou durante 18 anos ao lado do humorista Chico Anísio, na rede Globo, mas foi demitido por manter relações amistosas com o ex-presidente Fernando Collor de Melo. Mas não demorou muito, a amizade já tinha lhe rendido um outro emprego e mais uma vez, numa emissora televisiva: a Rede TV.
E pra compensar a demissão, João Kleber acabou ganhando espaço em sua nova emissora com dois programas dos quais ele podia se gabar por ser o centro das atenções, Eu Vi na TV e Tardes Quentes. Nos programas eram exibidos quadros dos quais o povão se escangalha de rir da desgraça alheia, o apresentador deixava a ética de lado pra abrir alas a baixaria. Ridicularizando homossexuais, idosos, mulheres e deficientes físicos. Sem esquecer é claro, dos casais que se submetiam as famosas "pegadinhas" e aos "testes de fidelidade" que eram expostos nos programas.
Feitiço contra o feiticeiro
Depois de muito ter rido dos maus lençóis em que os participantes se colocavam, foi a vez do próprio João Kleber ser motivo de chacota. Sua esposa, Wanya Engydio Barros o traiu com o próprio ator das "pegadinhas" do Eu vi na TV.
A ex-mulher de João Kleber aparece sempre ao lado do atual companheiro, dirigindo o Mercedes que está no nome do apresentador, mas sob os cuidados de Wanya enquanto o divórcio não é oficializado. Wanya foi casada com João Kleber durante nove anos. Porém, antes de se tornar esposa do ex-apresentador, já tinha notoriedade por ter sido amante de políticos como Paulo César Farias e Pedro Collor de Melo.
João Kleber foi mandado embora da emissora Rede TV a chutes e ponta-pés depois de quase levá-la ao fracasso. Por exibir imagens “calientes” em horários impróprios e divulgar mensagens preconceituosas contra grupos e etnias da sociedade, o Ministério Público Federal acabou processando a emissora pelo mau comportamento do apresentador.
Agora, João Kleber virou alvo de gozações e ódio por parte do público, sob ameaça de destruição do próprio apartamento. Até fizeram uma comunidade no site de relacionamentos Orkut com o título: "Odiamos o João Kleber". Apesar de tudo, ele capaz de dizer que muitos o esperam em Portugal para a construção de novas programações. Ou é muita hipocrisia ou ele realmente é vítima do complexo de superioridade.
Mas não adianta só malhar o João Kleber. Quem sabe ele até ficou lunático depois de ter sido alvo de escândalos, fofocas e especulações. Ele mesmo declara que "um dia foi feito de palhaço e agora está se divertindo fazendo o público encarnar o seu antigo papel", pelo menos foi o que ele declarou no polêmico site cocadaboa.com. Mas o que levou João Kleber a pensar que seus programas caiam nas graças do público?
Está certo que seus programas mantinham um nível de audiência, comparado ao do telejornal da Rede Bandeirantes. É um paradoxo que chega ser ridículo, pois o mesmo público que se envolve em campanhas de ajuda humanitária e se comove com tristes histórias do cotidiano, também gosta, mesmo que por curiosidade, de ver a desgraça alheia.
Certamente João Kleber terá dificuldades para recuperar sua imagem de “profissional do humor”. Sua fama de promotor mor da baixaria ganhou proporções nacionais. Mas de tudo tem-se que tirar uma lição, o público precisa rever seus valores e conceitos antes de perder tempo na frente da televisão. Isso chega a ser um comentário redundante, mesmo assim muitos esquecem de selecionar o que vê na telinha. |