Hoje o recado é curto. Creio que temos crescido em muitos aspectos, por isso muitas observações mais pontuais ficarão para a nossa tradicional reunião interna de avaliação. Os “puxões de orelha” se devem basicamente a um fator: a dificuldade de exploração do tema. Na análise de alguns veículos de comunicação, ficamos na superfície. Culpa de quem? Da apuração.
Falar sobre os gigantes da comunicação latina, por ser uma proposta ousada, implicava risco. Os obstáculos já podiam ser avistados. Provavelmente, as informações seriam escassas, em espanhol e restritas às fontes online . Os articulistas, bem como a direção de redação, já sabiam que analisar a mídia “hermana” não seria tão fácil quanto falar da tupiniquim. Mesmo assim topamos.
Porém, justiça seja feita. Alguns se valeram da “muleta” da falta de informações e não renderam o esperado. Alguns títulos foram previsíveis. Várias menções aos programas hispanos, como Chaves , Carrossel e Chiquititas , saturaram um pouco a edição. Ademais, talvez pela falta de informações sobre as empresas, os aspectos propostos para a análise (expansão, patrimônio, linha editorial, etc.), não foram bem desenvolvidos. Muitos dados caíram na repetição.
Neste último número, cometemos um erro que até então era inédito. O artigo “Adoráveis vizinhos” foi publicado em duplicidade, ocupando assim o espaço destinado ao “Futuro em segredo”. Resultado: dois prejudicados. O público, que não leu sobre os planos de expansão do grupo Clarín, e a articulista, por não ter o próprio trabalho veiculado. O problema já foi sanado, mas fica a ressalva aos editores! Por fim, lamento pela entrevista. Ao contrário da última edição, pela qual fomos elogiados pelos colegas dos demais observatórios de mídia, as respostas do último entrevistado deixaram a desejar. Foram muito objetivas. Acredito que as perguntas do nosso repórter foram oportunas e o tema, um assunto de fôlego, pedia respostas mais extensas.
No entanto, a suma da análise é positiva. A iniciativa de se publicar edições sobre os grandes conglomerados de comunicação, por si só, já foi válida. Esse número cumpriu com o seu caráter pedagógico. Primeiramente, porque deu aos alunos uma noção da indústria cultural latino-americana. Em segundo lugar, porque serve de enciclopédia virtual. Tal qual os verbetes de uma Barsa ou Mirador , a última edição apresentou de modo geral e sucinto aspectos do tema proposto. Aliás, creio que essa é uma das principais contribuições do Canal para os discentes de comunicação: fornecer “verbetes” do conhecimento e da prática profissional. Por isso não seria exagero dizer que ela é leitura obrigatória para os estudantes de jornalismo do Brasil.
Até! |