|
|||||||
![]() |
|||||||
| |
|||||||
O outro lado da moeda |
|||||||
| Larissa Garcia |
|||||||
Durante os atentados de 11 e setembro e a posterior invasão do Afeganistão pelos exércitos norte-americanos, uma rede de televisão do Qatar, destacou-se por estabelecer um acordo de exclusividade com a rede de televisão norte-americana CNN. Isso aconteceu porque a tal TV foi a única que teve acesso às áreas onde ocorria o conflito entre os membros do Taleban e o exército americano. Esta mesma rede de TV gerou reações de ira e apoio no mundo todo ao transmitir um pronunciamento de Osama Bin Laden em outubro de 2001. Se você ainda não identificou que rede de TV é essa, estamos falando da Al Jazeera. Hoje ela não quer mais ser conhecida como a TV de Bin Laden, mas busca consolidar sua trajetória de expansão com o lançamento de um canal de notícias em inglês. História Criada em 1996 pelo chefe de Estado do Qatar, o emir ( título nobiliárquico historicamente usado nas nações islâmicas do Médio Oriente e norte de África ) Hamada Bin Khalefa al Tani, a Al Jazeera tinha o objetivo de “fazer frente à influência dos Sauditas sobre as elites do Qatar”. Tani chegou ao poder por meio de um golpe que derrubou seu pai. Com 40 milhões de telespectadores, a Al Jazeera é o maior e mais popular canal árabe e a primeira rede de televisão em cadeia do mundo árabe-muçulmano. O jornalismo é o carro chefe de sua programação e a maior parte de seu quadro de profissionais de jornalismo foi recrutada junto à BBC. A emissora tem mais de 50 correspondentes espalhados pelos países árabes, Europa e Estados Unidos. Aumento da popularidade Durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, a cobertura do conflito foi feita quase que com exclusividade pela CNN, que, naturalmente, dava ao mundo a versão norte-americana dos fatos. Poucos dias após a invasão do Afeganistão, no final de 2001, a Al Jazeera colocou no ar um depoimento de Osama Bin Laden, que, como de costume, aparecia armado, discursava em tom ameaçador e ameaçava os Estados Unidos. A partir daí, o mundo tinha acesso a duas versões. A do governo norte-americano e a da Al Jazeera. Era a “guerra contra o terror” contra a “luta pela liberdade de expressão”. Na Guerra do Iraque, a concorrência entre as redes de televisão norte-americanas e a Al Jazeera foi acirrada. Os Estados Unidos criaram o “Coalition Media Center”, numa clara tentativa de monopolizar as informações da guerra. Já a Al Jazeera investiu em treinamento de segurança para seus profissionais e mandou correspondentes para o Iraque e região. A emissora do Qatar levava clara vantagem na cobertura, pois seu conhecimento da língua e da cultura árabe possibilitava uma abordagem mais ampla dos fatos relativos à guerra e um acesso mais fácil às áreas remotas do Iraque. Assim, muitos acontecimentos relacionados ao conflito entre iraquianos e estadunidenses não ficaram conhecidos apenas nas versões autorizadas pelo Pentágono. Janela para as arábias O aumento da popularidade e da credibilidade da Al Jazeera forneceu a base para que o lançamento de seu canal de notícias em inglês seja um fato no mínimo ameaçador para os grupos de comunicação norte-americanos, acostumados a dar sempre a versão autorizada dos fatos. Os conglomerados de comunicação ocidentais terão de levar em conta a existência de um outro olhar sobre os problemas que envolvem o mundo árabe-muçulmano. Expandindo suas atividades para fora do mundo árabe, a Al Jazeera forneceu maiores subsídios para que os telespectadores conheçam o outro lado da moeda. É um grande passo em direção ao ideal da imparcialidade jornalística. |
|||||||