De acordo com a lógica da globalização, facilmente pode ser percebida a ânsia pelo “comum”. Comum, porque esse define a meta das grandes empresas de comunicação. Poucos no comando por um mesmo objetivo: dominar e vender.
As corporações de mídia e entretenimento agem como “mestres” da globalização. Não apenas como meros publicitários de produtos, o “comprável”, mas definem o que é consumível. Os mega-grupos de comunicação propagam as tendências e visão de mundo num sutil discurso, diretamente, transferido às demandas coletivas.
Por meio de malhas de satélites, cabos de fibras ópticas, e redes infoeletrônicas, o colosso mercado da mídia opera por deter a capacidade de interconectar o planeta. Não esqueçamos que age por adesão ideológica, também. É impossível haver outro meio pelo qual ligar, online , em tempo real na esfera cotidiana, povos, etnias, gostos e culturas. Tecnologia a serviço do lucro.
O que difere empresas como Disney, AOL-Time Warner, New Corporation, Bertelsmann e Viacon das empresas General Motors, a McDonalds e a IBM, são unicamente a área de atuação. E ainda essa diferença vem se reduzindo constantemente por meio das participações cruzadas, alianças e fusões no mercado geral.
Repare a American Online. Criada em 1989, dona do provedor de internet mais utilizado do planeta, em 2000 tornou pública uma oferta de 166 bilhões de dólares para comprar a Time Warner (uma rede de televisão a cabo com mais de 13 milhões de residências filiadas, e mais de 30 títulos de revistas). Uma aquisição como essa resulta na explicita intenção das mega-corporações: funcionamento do capitalismo. Segundo Noam Chomsky, “os maiores órgãos de imprensa são empresas enormes que integram conglomerados ainda maiores...”
Na fase inicial do Jornalismo e Publicidade, a imprensa cumpria o papel de informar, propagar e intermediar o pensamento das pessoas privadas. Hoje, o consumidor recebe a informação do grupo privado. Por isso o teórico Habermas afirmou que a esfera pública criada pelos meios de comunicação de massa é aparente. Se gerar lucratividade e rentabilidade, é notícia e não responsabilidade social.
É importante ressaltar que vivemos numa época onde os paradigmas comunicacionais estão sendo quebrados. O que antes era um sistema primitivo de comunicar, hoje se inovou para a era digital possibilitando o maior alcance das informações. Os grandes meios usam isso para eventuais e freqüentes transações.
Você poderá ficar espantado com as interligações dos meios de informática, telecomunicação e comunicação. Mas saiba que toda essa “bolha” de mercado, que por onde passa agrupa-se, é só uma conseqüência onde estão designadas as mais perfeitas estratégias dos poderes da comunicação.
Estratégias
A Disney, por exemplo, em parceria com a operadora de telefonia móvel japonesa, NTT DoCoMo, dispôs seus conteúdos pela Web móvel, enquanto a NTT oferece os conteúdos da Disney em celulares de terceira geração.
Vivendi Universal, segunda maior empresa mundial de informação e entretenimento deixa explícita sua estratégia de crescimento: “É essencial agregar conteúdos baseados em alta tecnologia... a combinação de meios de difusão e de produtos afins nos dá uma vantagem considerável perante nossos concorrentes. Podemos ampliar as ofertas, com redução de custos. Essa estratégia integrada é a que se adapta melhor a revolução das redes, permitindo alto incremento nas vendas”.
Time Warner, Vivendi Universal, Disney, News, Bertelsmann e Viacon, as seis primeiras no ranking de mídia e entretenimento objetam o “comum”: exercer a hegemonia. Estar todo o tempo em todos os lugares. Para tal, o mais viável é a redução do número de “manda-chuvas” no poder. O resultado é a receita que varia de 5 à 30 bilhões de dólares entre os dois terços de informação disponíveis no planeta.
É inevitável, diante de tais fatos, deixar de argumentar quanto a origem do poder que domina nossas mentes e impulsos. Uma vez que o objetivo é o número menor possível de corporações no poder, logo, seguiremos a “filosofia” pré-concebida por determinado grupo. Tais “indústrias do saber” circulam livremente pela Terra devendo contas apenas aos seus acionistas.
Estas são as que nos farão obedecer, por meio do bombardeio de sons e imagens, a apoteose do entretenimento; bem como seus protagonistas: a ilusão e a necessidade de consumir. |