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Além do óbvio
 

Confesso que a edição sobre Ética na TV ficou aquém das minhas expectativas. Acredito que a pauta era uma das mais ricas em termos de exploração, porém, contentamo-nos em cavar não muito além da superfície. Justifico. Ao contrário das edições que têm sido destinadas aos grandes grupos de comunicação, o tema desta quinzena não poderia se limitar ao caráter “enciclopédico”, pois é muito discutido.

Qual é o pobre mortal que já não usou, ainda que sem muito embasamento, os adjetivos vulgar, sensacionalista, consumista ou manipuladora para a programação televisiva nacional? Tal qual a escalação da seleção brasileira, todos têm um “pitaco” para dar quando o assunto é baixaria na telinha. A lição que fica clara é: quando o tema é ética na mídia, temos que andar a segunda milha.

Para legitimar a minha opinião, aponto alguns exemplos. Três artigos ficaram mais na descrição dos casos ou programas do que forneceram uma análise, são eles: “A que ponto chegamos!”, “Promotor da baixaria” e “Pimenta ou agridoce?”. Como primeira sugestão para esses articulistas e os demais, deixo a idéia de que definam e aprofundem os conceitos de sensacionalismo, exploração da privacidade e da relação entre entretenimento e marketing. Ademais, quando trabalhamos com análise de um objeto, devemos nos valer do contraste e da comparação. Isso faltou em quase todas as pautas.

Evidentemente, como essa edição também trouxe as suas contribuições, destaco alguns artigos que merecem elogios, quer seja pela criatividade ou pelo conteúdo. No artigo “A carta magna do capitalismo” ressalto a idéia da televisão como responsável, em grande parte, da identidade nacional. O título “Aprecie com moderação” foi muito oportuno, pois se valeu de uma frase “coadjuvante” das peças publicitárias, mas que expressa bem o conceito do artigo. O texto “Telas cheias, mentes vazias” também merece menção, pois trabalhou com conceitos interessantes como a fuga da realidade e o impacto da TV no pensamento reflexivo. Menciono também a matéria “Cinco pães e dois risinhos” pela ênfase da invasão da vida privada na esfera pública. Por fim, a “A notícia nua e crua” contextualizou historicamente o gênero telejornal sensacionalista, além de apresentar intertítulos criativos.

Antes de finalizar, gostaria de atentar para os pontos que ainda temos de melhorar. Insisto na questão da consolidação da seção Reportagem no Canal. Esse ano, ainda não produzimos uma sequer. Outra que merece um pouco mais de atenção é destinada às resenhas. Percebe-se que os articulistas têm se limitado a descrever o livro, esquecendo de apontar os pontos fracos e fortes da obra.

A coluna termina aqui, mas o aprendizado continua: fugir do senso comum!

Até a próxima!