A mídia, conhecida também como “quarto poder”, realmente exerce forte influência sobre a política de um país e seus três outros poderes reconhecidos pelo Estado. A diferença é que ele não está limitado a certa legislação. Os Estados Unidos da América realmente são uma fortíssima potência não só em forças bélicas e economia, mas também nesse poder, que rompe barreiras geográficas.
As empresas Time Warner, Disney, News Corporation e Viacom são grandes grupos que dominam a comunicação no país norte-americano e influenciam o mundo. Por meio do cinema e TV a cabo, o mundo consome produções e absorve mais e mais as ideologias estadunidenses que invadem todo ocidente.
A enciclopédia virtual Wikipédia esclarece que “o cinema dos Estados Unidos, além de uma forma de expressão cultural específica de um povo, é também uma das mais bem sucedidas indústrias de entretenimento do mundo”. E finaliza, “a influência do cinema norte-americano no resto do mundo é avassaladora e permanece, geralmente, como uma referência para o público que, em termos gerais, prefere esta cinematografia aos filmes do seu país”.
O responsável pelo site leiacinema.com.br, Cláudio Marks Machado, argumenta que hoje não é possível contestar que o cinema “faz cabeças”, no sentido de formar opinião e influir na formação das pessoas. Ele ainda diz que não se pode negar que a influência do chamado modelo americano se deve ao cinema. “De muito se alerta que o chamado domínio americano ocorreu pela exuberância de sua economia ou pela prevalência de sua organização política/social, mas sobretudo em razão da difusão de suas idéias, seus ideais, valores e forma de vida, através dos meios de comunicação, especialmente o cinema e a música” conclui.
Assim como o poder do Estado é dividido para não haver concentração, a mídia americana pode ser dividida em quatro principais grupos.
Componentes do “superpoder” (Time Warner)
É evidente que a mídia americana possui forte poder. Muito forte. E nem precisa elogiar. “Somos inovadores em tecnologia, produtos e serviços” gaba o site do grupo Time Warner. Verdade. A empresa, fundada em 1923, é pioneira em vários produtos como DVD e “digital cable”. Os auto-elogios não param por aí. “Se analisado a qualidade, popularidade, ou resultados financeiros, nossa divisão está no topo de suas categorias: AOL, Time Inc., Time Warner Cable, Home Box Office (HBO), New Line Cinema, Turner Broadcasting System e Warner Bros ” orgulham-se.
Criatividade, foco nos clientes, agilidade, trabalho em equipe, integridade, diversidade e, por fim, responsabilidade são “os valores” do grupo, que conta com aproximadamente 85 mil funcionários ao redor do mundo (dados de junho de 2005). Recordes são comuns, como os 200 milhões de doláres lucrados só nos Estados Unidos com os filmes Batman Begins, Charlie and the Chocolate Factory e Harry Potter and The Goblet of Fire.
Fantasia animada (Disney)
Walter nasceu em 1901. Conhecido como “Walt Disney”, ele chegou à Califórnia em 1923. Foi bem sucedido ao fazer um desenho animado sobre uma moça que vivia em um mundo de cartoon, Alice no País da Maravilha. Originalmente, o nome da companhia era Disney Brothers Cartoon, uma parceria com Walter Elias Disney (Walt Disney) e seu irmão, Roy Disney, que sugeriu para que o nome fosse alterado para Walt Disney Studio. Bingo. Após uma série de sucessos e lições também, em 1926 a empresa já estava crescendo.
Num estúdio chamado Hyperion Studio, Walt Disney desenhou um novo personagem, Mickey Mouse. O ratinho explodiu em popularidade e o resultado foi visto daí para frente. Em 1932, o Oscar lançou a categoria por melhor desenho animado e Disney ganhou todos os prêmios naquela década.
Mais (News Corp)
“Em cinco continentes, com satélites, inovações de tecnologia digital, o grupo News Corporation continua a crescer. A televisão na empresa tem quebrado recordes por dez anos consecutivos e a FOX Broadcasting Company é o canal mais assistido entre os jovens americanos”. A informação é do próprio site da empresa. Assim, quando se pensa que Disney e Time Warner ocupam todo o espaço e não pode existir maneira de haver mais competitividade é só pesquisar um pouco mais. O resultado da busca é claro: DirecTV, Foxtel, Sky, Sky Itália, Fox Movie Channel, Fox News Channel, Fox Channel, Fox Television Studios, 20th Century Fox, Fox Broadcasting Company, entre outros. Muitos outros.
A News Corp foi criada em 1979 por Rupert Murdoch. Em 1973 ele comprou o jornal San Antonio News e depois fundou o tablóide National Star. Em 76 adquiriu o New York Post . Em 2003 a empresa comprou da General Motors boa porcentagem do maior operador de satélite dos Estados Unidos, a DirecTV, por 6 bilhões de dólares.
Viacom
Ainda tem espaço no mercado. Quem não ouviu falar em MTV? O canal não pertence a nenhum dos três grupos acima citados. Viacom é outra empresa de comunicação de muita força e influência não só nos Estados Unidos, mas em outros países também. E o Brasil não fica de fora. “Fazem parte do nosso corpo BET, Famous Music, MTV Networks – MTV, VH1, Nickelodeon, Nick at Nite, Comedy Central, CMT, Country Music Television, Spike TV entre outros 100 canais no mundo inteiro. Estamos entre os líderes na criação de programas e conteúdo para todas as mídias” descreve os assessores do grupo, por meio do site oficial. Fazem parte da empresa também a Paramount Pictures e Paramount Home Entertainment. Empresas do ramo cinematográfico.
Tudo começou no cinema. Adolph Zukor fundou o Famous Players Film Corp em 1912, que se tornou Paramount Pictures em 1916. A partir daí o grupo só cresceu, comprando rádios e até o time de baseball New York Yankees.
Opinião americana
O professor de História da Universidade do Texas, Richard Pells, em um de seus artigos, afirma que as pessoas de outros países sentem-se incomodadas com o impacto global da cultura americana. Segundo Pells para muitos acadêmicos, jornalistas e ativistas políticos “que abominam à uniformização cultural”, a cultura global é sinônimo de cultura americana.
Pells rebate esse pensamento argumentando que os Estados Unidos também é bombardeado com outras culturas e assimila tudo isso. O americano conclui. “No fim, a cultura de massa americana não transformou o mundo numa réplica dos Estados Unidos. Pelo contrário, a dependência americana das culturas estrangeiras é que fez dos Estados Unidos uma réplica do mundo”. |