O personagem de quadrinhos Snoopy estampa camisetas, xampu, mochila de criança e uma infinidade de objetos publicitários. Esse amistoso cão adorado por muitos é o protagonista de Peaunts, um desenho que narra às aventuras de um grupo de crianças. Aqui no Brasil essa série é conhecida como Minduin, tradução dada por Ziraldo ao personagem Charlie Brown. As tiras foram publicadas em 2.600 jornais de todo o mundo e traduzida em 26 idiomas comprovando o carisma deste simpático personagem.
Charles Schulz foi um revolucionário dos quadrinhos quando o legal era fazer tiras sobre super-heróis que salvam a América. Ele propôs um novo estilo para o jornal, uma série de desenhos chamada "Lil' Folks " (gente pequena), mas os dirigentes do jornal cancelaram a publicação das tiras. Schulz não desistiu e continuou enviando seus quadrinhos para uma distribuidora, quando em 1950 o desenho começa a ser publicado em sete jornais americanos e ocorre uma mudança no desenho e passa a se chamar Peanuts.
Os personagens
Mas a turma de Minduim atingiu o sucesso depois que o autor inseriu Snnopy na história. Ele foi um presente que a mãe de Charlie lhe deu. O cão belga recebe o nome de Snoopy e com suas características alegres e otimistas logo ganha a atenção dos leitores e se torna um dos personagens mais famosos dos quadrinhos.
Seu dono, Charlie, é o pessimista da história, sempre desanimado, nunca consegue alcançar seus objetivos, mesmo que seja soltar um papagaio (pipa) ou declarar seu amor para a “menina ruiva”. Aproveitando da sua debilidade psicológica, sua amiga Lucy o usurpa cobrando uma taxa por falsas consultas terapêuticas. Ela é a mandona, egoísta só age a favor de seus próprios interesses e é apaixonada por Schroeder, o intelectual do grupo. Esse passa a maior parte do tempo na frente de um falso piano que “toca” músicas de Beethoven.
Por meio de Linus, o autor transmite conceitos freudianos. Trata-se de um personagem que é uma criança insegura, com baixa auto-estima e que encontra aceitação em seu cobertor inseparável. Sally Brown e Patty são as alienadas. Sally é a irmã mais nova de Charlie e é apaixonada por Linus, sendo extremamente romântica. Já Patty é a “menina moleque”, só pensa em futebol é e obcecada por TV. O grupo também conta com Woodstock, um pássaro desajeitado que incrivelmente sabe datilografar e é o braço direito de Snnopy, sempre apoiando as aventuras metafísicas do cão.
A arte de encantar
Ao contrário de muitos histórias, Snoopy não vicia. As pessoas (a maioria) não ficam contando os dias para lerem ou assistirem à próxima aventura, mas elas incondicionalmente irão ver. E a pergunta é, porque Peanuts e tão atrativo?
A explicação se encontra na construção dos personagens. Shulz criou um cenário infantil, histórias que retratam uma infância romântica, problemas típicos da idade, no entanto as crianças agem como adultas.
Os medos de Charlie Brown, a necessidade de ser aceito, o poder de persuasão de Luccy, a humanidade de Snoopy, - ele não fala, mas aparece balões com os seus pensamentos e anda como um bípede. Ele sabe que é um cão e que sempre vai ser, mais isso não o impede de imaginar situações nas quais ele se transforma em um outro animal ou até mesmo em um aviador da primeira Guerra Mundial, tranmitindo um conceito da sociedade, que é possível ao individuo uma mudança de status,
O público se identifica com os personagens. O escritor Umberto Eco os descreve como “monstros”, pois Snoopy e seus amigos trazem à tona os medos, às angustias e às paixões de um cidadão comum. Por meio de seus desenhos, Schulz coloca em debate temas como sexualidade e política provocando uma reflexão filosófica sobre a sociedade, na maioria das vezes com enredos tristes, mas com um toque sutil de humor. |