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Balanço de uma iniciativa
 

Nesta coluna, vamos fazer uma avaliação da última edição, grupos de comunicação americanos, à luz de toda a série. Como já dissemos em artigo anterior, a iniciativa de abordar no Canal os grupos de comunicação mais expressivos do Brasil, América Latina e Estados Unidos, se mostrava uma grande idéia e um desafio proporcional a essa. Agora, que as três edições foram publicadas, podemos concluir que valeu o esforço. Os articulistas conseguiram fornecer, com as suas pesquisas, pequenos “verbetes enciclopédicos” para os interessados em comunicação. Evidentemente que, esses verbetes precisarão de atualização, mas representam um ótimo começo.

Vale lembrar também que o projeto mostrou limitações. Talvez uma das principais foi a de apuração. Neste sentido, o primeiro obstáculo foi o idioma e a dificuldade de acesso aos materiais de referência sobre os grupos internacionais. Já o segundo desafio, lamentavelmente, está ligado à negligência dos articulistas na pesquisa. Apesar de termos conversado sobre isso na nossa reunião de avaliação na redação, penso que seja transparente e didático expor esse aspecto aqui.

Pegando uma carona na necessidade de apuração, destaco a aparente ausência de citações e referências, nesta edição, a livros e artigos que tratem da monopolização da mídia americana. Ao que me parece, os estudos que tratam das fusões e conseqüente manipulação da informação pelos veículos dos Estados Unidos, são mais populares do que os que tratam do mesmo fenômeno na América Latina e no Brasil. Portanto, senti que os articulistas não procuraram estas fontes, ou pelo menos não citaram-nas. Logo, se a falta de domínio do inglês prejudicou o levantamento de aspectos como o patrimônio e políticas de expansão dos grupos ianques, não representou a mesma dificuldade para se abordar as implicações éticas das conglomerações na comunicação.

Agora, dentro de uma análise mais específica da última edição, gostaria de destacar alguns pontos. Como característica geral, os artigos não abordaram o comportamento da linha editorial destes grupos americanos. Ao contrário das edições sobre as empresas brasileiras e latino-americanas, essa última não trouxe artigos específicos sobre o patrimônio, planos de expansão e linha editorial. A razão deve ter sido a escassez de informações em português. Justificável, porém, acredito que alguns tópicos, ainda que pincelados, poderiam enriquecer os textos. Por exemplo, a descrição de como esses veículos estadudinenses se posicionaram em relação à reeleição de Bush, ao terrorismo, à situação no Oriente Médio ou simplesmente, como costumam retratar o Brasil.

Ao olhar mais especificamente ainda, em nível dos artigos, ressalto os seguintes pontos. Tivemos títulos muito bons como outros medianos. Entre os melhores, destaco “Sob os olhos da águia” e “Mago das idéias”. Já os que precisariam de uma melhora, “Super ‘power'” e “Líder de audiência”. Destaco também o artigo “O outro lado da moeda”, pois deu um panorama do desenvolvimento e globalização da TV Al-Jazeera. Já a matéria “Expansionistas ianques”, apesar de interessante, poderia ter explorado mais as implicações éticas da fusão do grupo Warner, pois esse, além de ser o maior do mundo, concentra inúmeras empresas de entretenimento e revistas jornalísticas. Será que o grande problema da conglomeração de empresas de mídia não é a assimilação do jornalismo pela diversão?

Por hoje é só, até a próxima edição sobre os quadrinhos e a Indústria Cultural!